Quem vive longe do país sabe bem o que é saudade e como a gente faz de tudo pra saber se vai tudo bem nesse Brasilzão de todos nós. Notícias boas me fazem encher a boca e o peito pra dizer "eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor..." e coisas assim... Notícias ruins me deixam triste. Mas certas notícias me deixam indignada, como o caso da estudante que teria sido impedida de assistir a aula por estar usando roupa curta.
Houve um tempo no Brasil em que "Moral e Cívica" era uma disciplina encaixada na grade curricular. Em respeito à Bandeira e ao País, alunos cantavam de cor o hino nacional com as mãos no peito e a cara pro sol e nem pensar em boné na cabeça, o que era considerado severo desrespeito. Nas escolas públicas da minha cidade (Santarém), alunos entravam na sala de aula de uniforme passado e engomado. Excessão só mesmo em caso de extrema necessidade, geralmente no início do ano, quando os pais não tinham dinheiro suficiente pra comprar uniforme e material didático tudo ao mesmo tempo. Shorts e bermudas eram permitidos pra Educação Física que era em outro horário pra não dar confusão. E responder feio pra professor era caso de suspensão ou coisa pior. Daí que as escolas e o Brasil e o mundo vão mudando, mudando... O uniforme foi abolido há tempos... ninguem quer nem saber de vestir a mesma roupa todo-mundo-igual. Hino nacional só em tempo de copa e só aqueles três ou quatro primeiros versos, como é que é mesmo? Aula de boas maneiras? Responder pra professor? Que nada, bater em professor é que não é politicamente aceitável (ainda), sem brincadeira, nem exageros. A aula de moral foi pro beleléu e o respeito perdeu o lugar dentro e fora da escola... E quanto a roupas, bem, o aluno pode ir como bem quiser e entender. Cada um faz o que dá na telha. A estudante pode escolher a menor micro saia do armário pra assistir aula que tá tudo bem. Se professor reclama ou põe pra fora, é julgado e condenado por desrespeitar o aluno. E o respeito ao professor?
Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010
Terça-feira, Janeiro 26, 2010
Residente e Permanente!
Depois de uma noite não dormida e muitas preocupações passadas, a manhã sorridente, fácil e bem sucedida no departamento de imigração. O mau tempo sem claridade, a minha sonolência e o nervosismo do meu marido conspiravam contra nós, mas a entrevista foi tão rápida que nem chegou a doer.
Tudo começou com o juramento de só falar a verdade, nada mais que a verdade, sob pena de cadeia em caso contrário. De pé, em respeito à bandeira e aos Estados Unidos (e eu que entrei e já fui logo sentando na primeira cadeira que me apareceu pela frente). Nenhuma das perguntas estudadas caiu no interrogatório (como em prova de vestibular...a propósito, ainda existe vestibular?). Decorei datas de aniversário, nomes completos e locais de nascimento à toa. Em vez disso, perguntas sobre minhas intenções e planos sobre prostituição, sequestro, terrorismo e poligamia. Usei todo o meu Inglês pra dizer "no" durante a maior parte da entrevista.
Da montanha de documentos e provas de que nosso casamento não é uma fraude, a oficial de imigração selecionou e arquivou uns poucos papéis sobre histórico bancário e todas as quase 100 fotografias impressas via Wal-mart um dia antes. Pensei que era só pra olhar, não pra ficar de vez. Saímos sem álbum mas com um novo selo no passaporte e dois rostos estampados com um sorriso de orelha a orelha.
Terça-feira, Janeiro 19, 2010
Numa fria
Pesca de inverno. Há quem faça isso por prazer. Loucos e masoquistas a gente encontra em todo lugar. E pra exercer essa atividade é preciso dominar a técnica de andar sobre a água. Se aprender rápido e sem quedas, é possível dirigir sobre a água e mesmo morar sobre a água por alguns dias. Com tudo congelado, a maior dificuldade é conseguir ficar em pé sem uma bela escorregada, que em alguns casos pode ser fatal (o sujeito pode quebrar o pescoço numa queda de mal jeito, ou pior, pode quebrar o gelo e experimentar o mergulho da morte). Botas especiais, precaução e o mínimo de instinto de auto-preservação ajudam. Alguns decidem ir até o meio do lago dirigindo. Os mais experientes (e inteligentes) só dirigem quando há certeza de que a placa de gelo tem pelo menos um metro de espessura. Os pescadores compulsivos levam barraca, banquinho, cama e aquecedor. A pesca pra esses dura no mínimo dois dias seguidos. A técnica é simples. Com o auxílio de uma máquina, eles fazem um buraco no gelo de mais ou menos 80 cm de diâmetro, daí é só sentar no banquinho e esperar com um arpão em mãos. Alguns voltam pra casa com belos troféus, outros voltam com belas experiências e outros infelizmente não voltam, porque nem sempre é dia de pesca e dia de pescador por aqui costuma ser trágico.
Síndrome da insensibilidade climática
No meu tempo de Brasil, cheguei à conclusão de que moleque não sente calor. A turma perto de casa passava o dia naquele sol de escaldar e de fritar empinando papagaio, jogando futebol nos campinhos de terreno baldio, correndo atrás de confusão. Um bando de curumins imunes ao sol. Desse lado dos States, penso, a molecada sofre da mesma insensibilidade climática só que invertida. O termômetro marca 10 abaixo de zero, a gente mal consegue atravessar os três metros que vão do estacionamento à porta de casa e a turminha tá lá, há duas horas no quintal escorregando em tampa de lixeira, fazendo bonecos, movimentando braços e pernas na neve pra fazer anjinho, fazendo guerra e correndo atrás de confusão...Tenho a impressão de que a síndrome se cura em algum ponto entre a adolescência tardia e a fase adulta, mas alguns poucos não se curam.
Pé na estrada...com muito cuidado.
Nesse inverno nevado, dirigir é uma perigosa aventura. O gelo forma uma fina camada no asfalto... Suficiente pra deixar tudo lisinho, lisinho... Uma escorregada e... era uma vez um carro perfeito. Não é raro ver polícia e 911 se aglomerando em mais um local de acidente, que, geralmente, não é muito grave (dependendo de como vc analisa a situação, eu considero a gravidade pelo número de mortes). Dia desses um caminhão cheio de carga (desconhecida por mim) bateu no pilar de uma ponte. Foi um tormento pra motoristas desavisados cujos carros formaram um engarrafamento de quilômetros. O caminhão ficou em desgraça, a carga foi perdida, a ponte partiu e o trecho foi obstruído, mas milagrosamente, o motorista saiu vivo e tecnicamente inteiro.
Além do gelo, o nevoeiro que se forma por dias a fio, dificulta a visibilidade e por alguma razão me faz lembrar das estradas empoeiradas da Amazônia. Mas o asfalto é bom, as estradas recebem manutenção diária (com gente e máquinas retirando a neve e o gelo) e a paisagem, quando visível, é de uma brancura que acalma. Parece propaganda de sabão em pó. E quando o sol decide aparecer, tudo fica ainda mais claro e brilhante. Bonito, muito bonito de ver, e, olhando assim do lado de dentro do carro, sem a sensação de frio abaixo de zero, parece mais um agrupamento de dunas de areia em alguma praia perto do mar.
Um passeio pela Tv Americana
Sexta-feira, Dezembro 11, 2009
A gripe
Falando em contágio, todo mundo por aqui me diz pra ter cuidado com a gripe suína. Não sei como vão as coisas no lado sul das Américas, mas a doença passou de estado de alerta nacional a fashion e de moda a quase comum a todos por aqui. A primeira vez que encontrei uma pessoa que já havia sido infectada pela nova gripe tive vontade de pedir um autógrafo, porque, afinal, era coisa que todo mundo falava,mas que ninguém de fato parecia ter visto. Mas daí veio a normalidade e agora andam dizendo que a gripe comum mata mais que a versão suína. Há postos de vacinação nas lojas e supermercados. Eu é que ainda não tive coragem de tomar mais uma agulhada e por enquanto, mesmo com as drásticas diferenças climáticas, nem gripe, nem resfriado pra fazer charme.
O clima
Eu aqui nesse friozinho nevante tentando achar um site de notícias que me conte mais sobre o clima no Brasil. No Sul, chuvas e alagamentos. No norte o tempo é ameno, mas as notícias são tempestuosas, como no resto do país...Tráfico de drogas, exploração ilegal de madeira e coisas do tipo. No Distrito Federal processo de impeachmant correndo e mais mensalões (a vez dos democratas... outra vez). E em meio ao mau tempo de corrupção que se alastra e contagia, uma lição de honestidade, vinda do interior de Brasília (quanta ironia). Uma passadeira de roupa acha 4.500 reais em frente de casa e decide devolver. Queria que bons exemplos tb fossem contagiosos.
Quarta-feira, Dezembro 09, 2009
Neve... 2!
Quinta-feira, Dezembro 03, 2009
Neve!!!!!
Minha primeira noite de neve!!!!! Uma tempestade vinda assim de surpresa no meio da estrada... O que não é muito bom...Mas pra quem nunca viu foi uma festa só! Flocos gigantescos e molhados... e um frio de lascar... Foi o bicho da goiaba. Sem fotos. Não achei a câmera em canto algum...Acordamos cedo pra ver se ainda tinha alguma coisa lá fora... que nada. Tudo derretido... Pensei em postar uma foto da internet, mas não é a mesma coisa...
Quarta-feira, Dezembro 02, 2009
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