Mister Simpatia

Gado Highlander é o nome desse boizinho cheio de estilo. Adultos conseguem chamar mais atenção que  os filhotes. O casaco espesso é traje apropriado ao clima, imperiosamente gelado durante a maior parte do ano por aqui. Os pelos na cara me lembram adolescentes com síndrome de emo. Uns com mechas, outros arrepiados, sempre caindo sobre os olhos. Não sei como conseguem ver (tenho a mesma dúvida quanto aos rebeldes sem causa da nossa espécie). E há quem os crie só pela aparência. São considerados atração turística na Escócia com razão. Passamos mais de uma hora tirando foto e admirando os bichinhos que parecem feitos de pelúcia. Deixaram-se  fotografar à vontade enquanto mantivemos uma respeitável distância. Foi só eu tentar tirar foto perto de um deles e o rebanho inteiro decidiu procurar pasto em outra colina. Timidez ou arrogância perdoada. Nem precisa ser sociável pra ganhar em simpatia com todo esse escesso de fofura.

E aí seguem mais alguns cliques:

Meninas em dupla... até o comportamento parece infanto-juvenil.

Não me pergunte o que aquela banheira tá fazendo no meio do pasto.

Ao sabor do vento... adivinha o que são aqueles pontinhos escuros na grama verde?

Levando bronca...

Tudo bem, os filhotes também são uns fofos!

Pose de capa de revista... Esconde os seios, menina!

Clássica pose de tô nem aí.


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Para não falar de coisas tristes



Voltemos à Escócia
Em cada detalhe uma novela. Escócia dos muitos romances, das muitas guerras; de muito suor e de sangue derramados. Escócia das saias xadrezes, dos guerreiros heróis, das princesas fujonas, dos castelos encantados. Lugar de amores frustrados, de religiosos convictos, de clãs amigos, de familias inimigas, de mártires, de ruínas, de rochedos, de estradas sinuosas e estreitas, de muros de pedra e de cardos (flor selvagem que é símbolo nacional). País do wisky, do cordeiro, do boizinho estilista, das cachoeiras de verão, do inverno rigoroso, do clima instável. Tanto pra contar, tanto pra descrever, tanto pra não esquecer. Escócia do orgulho obstinado e ferido, que um dia sonhou com a independência, que decidiu lutar, e que ainda não desistiu. (Por que é que eu continuo na mesma tecla...)
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A grandeza do orgulho e do egoísmo paraense


Orgulho, sim. Egoísmo também e em muito maior escala. Orgulho, como advocam alguns,  pode ter má e boa conotação, dependendo do objeto e da forma como se representa. Favoráveis e contrários à divisão demontraram ambos. Houve razões para aplauso por mostras de um orgulho... “bom”: orgulho de manifestar opinião (ainda que não própria); orgulho de fazer diferença; de dizer sim ou não mesmo que o outro tenha escolhido a opção oposta; orgulho de ser. E não foram poucas as manifestações errôneas e vergonhosas de orgulho insano, exagerado, exacerbado e cheio de excessos desnessários.  Mas orgulho perde em feiúra e degradação para o famigerado egoísmo. Egoísmo camuflado de orgulho. Egoísmo em roupas de filantropia, em nome da união. Egoísmo de quem sabe que há perdas do outro lado, mas quem se importa? Farinha pouca, meu pirão primeiro.  E eu ouço em reportagem nacional, em tom orgulhosamente egoísta, que a voz do povo foi ouvida. Que povo? A voz do povo que urge por mudança foi sufocada pela voz do povo que está bem como está.  A capital se agita, festeja, “viva a união!”, “viva a anulação da mudança prometida e ansiada (não a nossa, a deles, claro)”.  União? Egoísmo que se traduz no orgulho de não precisar dividir. 
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Meu primeiro natal com neve


 Os primeiros flocos  caíram  sobre minha cabeça em forma de tempestade.  Neve pesada e molhada, com flocos bem definidos. Era possível ver o formato de cada um antes de virarem água outra vez.  O clima não era  frio o suficiente pra  manter os flocos congelados e unidos. Mais uns dias e, enfim, neve como nos desenhos animados. Uma brancura cobrindo  todas as imperfeições da paisagem. Tapete espesso  e imaculado.  Parece glacê de bolo de casamento. Não foi à toa que Davi comparou neve com pureza. Nem Omo pra produzir um branco tão branco.  E a criançada adora ir lá fora e fazer boneco de neve, anjo de neve, bola de neve pra jogar nos outros, e por aí vai. Uma delícia se você decide só olhar, do lado de dentro da janela, com aquecedor ligado. Se não resistir à tentação de fazer o mesmo terá, como eu, 2 minutos de diversão e 10 de congelado arrependimento. Frio é como lâmina atravessando  todas as barreiras  que a gente veste até  tocar os ossos e os sinos do cérebro.  Uma dor doída que se recusa a passar. E quando passa  é sinal de que os nervos congelaram  e o corpo adormeceu. E olhando aquela turma lá fora horas a fio me convenço de que nervos e sensos se desenvolvem com a idade.  Lembro de ter escrito algo parecido tempos atrás e, como preguiça me previne de fazer um texto novo, segue o velho outra vez.




Sindrome de Insensibilidade Climática

No meu tempo de Brasil, cheguei a conclusão de que moleque não sente calor. A turma perto de casa passava o dia naquele sol de escaldar e de fritar empinando papagaio, jogando futebol nos campinhos de terreno baldio  e correndo atrás de confusão. Um bando de curumins imunes ao sol. Do outro lado das Américas penso que a molecada também sofre de insensibilidade climática, invertida.  O termômetro marca 10 abaixo de zero, a gente mal consegue atravessar os três metros que vão do estacionamento à porta de casa  e a turminha tá lá, há duas horas no quintal escorregando em tampa de lixeira, fazendo  bonecos, movimentando braços e pernas na neve pra fazer anjinho, fazendo guerra e correndo atrás de confusão. Tenho a impressão de que a síndrome se cura em algum ponto entre a adolescência tardia e a fase adulta. Mas alguns poucos não se curam.

Virando picolé

Em um orfanato na Jamaica

Entre os muitos orfanatos da Jamaica, um conquistou meu respeito e simpatia. Não é a regra. É uma animadora excessão num país onde crianças nascem como que ao acaso e são tidas como estorvo (parece familiar?). Cerca de 30 crianças recebem boa alimentação, roupas, educação fora do ambiente de claustro, reforço escolar para os que não acompanham o ritmo na escola, até aulas de natação numa piscina que veio como bênção extra com a casa recém adquirida. As aulas de natação são mais do que atividade extra curricular e exercício. São vistas como conhecimento básico na ilha onde mais de 90% da população não sabe nadar. Cercados por água e por tanta praia bonita, é mesmo uma pena, mas fato.  Os membros da equipe tomam como desafio. “Se entrou boiando, sai nadando”. E os molequinhos adoram.  Viram patinhos assim que chegam da escola. Trocam os uniformes por calções de banho e o próximo barulho que se ouve é um splash seguido por alagamento nas bordas do tanque. Os meninos maiores não tem os mesmos privilégios diários, mas, uma vez por semana, ganham um passeio como prêmio por bom comportamento. Quem fez tudo direitinho tem um dia de lazer em uma das praias de Montego Bay. O sucesso do prêmio garante a ordem nos outros dias. A instituição já funcionou em pelo menos outros quatro lugares, e agora tem paradeiro final num local extraordinariamente adequado. Não é o melhor lugar. O melhor lugar pra criança se chama lar, por mais pobre que seja, perto da família (real, adotada, do coração ou como queiram), por mais imperfeita que seja (não são todas?) . Não precisa observar muito pra saber que qualquer uma daquelas crianças trocaria todo o conforto que têm nesse orfanato dos sonhos por um colo de mãe de verdade. Ainda assim, um bom lugar para meninos e meninas que sofreram o bastante por uma vida. Crianças rejeitadas, espancadas, abusadas, abandonadas nas ruas jamaicanas, traumatizadas pelo mau dos outros têm, neste lugar, o que podem chamar de casa. E pensar que elas são privilegiadas se comparadas com as crianças de outras instituições, cuja realidade é muito mais dura, muito mais fria e muito mais parecida com a idéia que temos de orfanato.

Aberta oficialmente a temporada natalina neste blog

E a primeira da lista vem de Paris porque encuquei que quero aprender francês. J'aime beacoup la France!
A quem interessar possa segue abaixo a letra da música. Vejamos quantos bicos você é capaz de  fazer e quantas vogais você pode ler sem pronunciar...Ehehehehe


 Le feu danse dans la cheminée Dehors on tremble de froid Nuit de Noël,
de sapins parfumés Partout, tu fais naître la joie 
Et au réveillon, pour les amoureux sous le gui Les baisers seront permis 
Les enfants, le coeur vibrant d'espoir,
On peine à s'endormir ce soir Le père noël s'est mis en route
Sur son traîneau Chargé de jouet et de cadeaux
Et les petits guettent et écoutent
La ronde folle des rennes dans le ciel
Et moi pour vous, je fais ce simple voeux

Qu'on échange depuis l'enfant dieu
Jeunes et moins jeunes soyez tous très heureux
Joyeux joyeux noël !
Et moi pour vous, je fais ce simple voeux
Qu'on échange depuis l'enfant dieu
Jeunes et moins jeunes soyez tous très heureux
Joyeux joyeux noël

"Fish and Chips"

 Embalado pra viagem é assim... 
Se você é daqueles super conscientizados com o meio ambiente e pensa que óleo de fritura é o mal a ser combatido no momento, melhor pôr a Escócia na sua lista vermelha (ainda tem circunflexo em “pôr”?). O povo banha tudo em óleo quente por aquelas bandas e sabe lá onde vão parar as sobras depois de usadas e reusadas. Carne, legumes, chocolate (sim, chocolate!), peixe, batata e o que mais aparecer fritos no mesmo tacho cheio de gordura (ao menos eles são a favor dos reutilizáveis – bom para o meio ambiente; efeito coquetel molotov para o corpo de quem se aventura). 
Uma das comidas rápidas mais populares na Escócia é chamada “fish and chips” (peixe e batatas). Uma bela posta de peixe temperada com sal e pimenta, banhada no óleo fervente, servida com batatas igualmente engorduradas e um pouco de vinagre por cima (eles dizem que o vinagre acentua o sabor- acentua, mas não melhora em nada). Tão popular quanto churrasquinho em Santarém. Receita simples o suficiente para ser feita em casa. Um aviso: antes de começar a fritar meio mundo, melhor prevenir. Tenha leite de magnésia à mão. Esteja certo de estar perto de um banheiro o suficiente  antes de iniciar a experiência quase suicida (o “suficiente” é calculado pela velocidade de suas pernas em metro por segundo após a ingestão de 5 ou 6 garfadas de peixe com 8 ou 10 batatinhas). É difícil encontrar qualquer coisa em situações de extrema urgência e há urgências que não esperam meeeesmo.  Não escolha este menu se estiver faminto. É possível que coma mais do que o previsto e suportável pelo seu organismo. 

As Jóias da Coroa Escocesa e a Pedra do Destino


O castelo de Edimburgo é por si uma maravilha  antiga. Investigar os recantos desse lugar é como assistir a um filme do lado de dentro da tela. Filme de guerra, com detalhes sangrentos que seriam um horror se vistos em cores e ao vivo.  Os soldados da guarda, as torres, o imenso pátio com vista deslumbrante fazem do castelo um lugar mágico igual ao dos livros de história medieval. E como nos livros, o castelo tem uma sala de tesouros. Preciosidades de história real e uma pitada de mistério. O cetro, a coroa e a espada são feitos de metais e pedras nobres. Já a Pedra do Destino parece mais uma enorme pedra ordinária. É, no entanto, o principal símbolo do orgulho escocês. Alguns dizem ser esta a mesma pedra que Jacó usou como travesseiro, mas daí já é exagero de escocês que tem a imaginação maior que o orgulho. Segundo relatos, essa tem sido a pedra utilizada como assento de coroação dos reis da Escócia e durante muitos anos foi colocada debaixo do trono britânico. Talvez como forma de os ingleses humilharem os escoceses que, por muito tempo lutaram contra os primos por uma nação autônoma. Não conseguiram. Ainda hoje há nacionalistas dispostos a romper o laço escocês com o Reino Unido. Mas daí, só mesmo um outro highlander Coração Valente  pra recomeçar essa guerra.
Como de praxis, eles não deixam tirar foto... Tomem minha palavra como testemunho de que as jóias e a pedra estão em algum lugar aí dentro.

Ps: O nacionalismo escossês ressurgiu de maneira intensa após a exibição do filme CoraçãoValente em 1995.

Ainda a caminho de Edimburgo

Um autêntico guerreiro highlander... Ehehehehe...
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Meus meninos e meninas da Jamaica


Falam mais do que ouvem, correm mais do que andam, andam mais do que devem e ouvem o que bem entendem, mas só fazem o que dá na telha. Quando não querem que eu entenda falam em Pátua. Se querem se fazer entendidos falam lenta e altamente (pensam que diferença de sotaque é sinônimo de surdez). Sou tia Wal quando querem fazer doce, sou “Miss” quando querem pedir favores, sou “dona” quando sabem que é hora de obedecer, sou “professora” quando me encontram na rua em meio de semana, e sou também colo para os que correram mais do que as pernas e pagaram com o nariz. Sou mil e uma entre os cinquenta cada domingo, tentando não perder o controle (o meu e o deles).   Com todas as peraltices do dia querem ser ajudantes, só pra poder mandar nos outros com ar de autoridade. Um dia me matam de rir, no outro me fazem querer arrancar os cabelos. E são tão fofos de derreter o coração. A parte mais doce e inocente do Caribe. 

O beco da Maria Rei







Escócia é um lugar cheio de surpresas, principalmente pra quem não olha onde pisa. Marcas da história estão literalmente sob os pés de quem vaga pelas ruas de Edimburgo, a capital escocesa. O castelo de Edimburgo é destino certo de turistas e historiadores. E foi a caminho do castelo que aprendemos sobre o beco da Maria Rei (Mary King’s Close). As ruas largas e mais estruturadas da Edimburgo atual foram construidas sobre outras ruas, casas e quarteirões inteiros. Mas o beco da Maria Rei foi preservado como testemunha de um passado enterrado há seculos.  Pra entrar no beco é preciso fazer uma viagem ao subsolo. A gente desce uns degraus e pronto, volta alguns 400 anos no tempo. É fascinante, mas não é pra claustrofóbicos. O lugar é escuro, apertado e fantasmagórico. A gente entra em casas ainda preservadas no beco, aprende sobre seus ex-moradores e tem uma descrição vívida sobre a vida, a morte e o sistema sanitário do século XVII nesta parte da Escócia.  Pouco mais de 400 anos atrás, você não gostaria de estar perambulando por este beco às 7 da manhã ou às 10 da noite. Este era o horário em que os moradores da vila costumavam se desfazer de todo o material fisiológico acumulado nos pinicos, bem ali, direto na rua. Os dejetos deslizavam pela ladeira íngrime até chegarem ao rio. Imaginei a cena, o cheiro, e não precisei de almoço por um tempo.
Obs: Maria Rei foi uma das moradoras mais influentes desse beco.  Uma negociante de tecidos que acabou emprestando o nome ao lugar.
Imagens e mais informações aqui... (eles não deixam tirar foto L)

A Casa Torta



Dizer que determinado prédio é antigo na Inglaterra é expressão batida. Tudo por lá parece temperado com aquela austeridade clássica que só o tempo pode produzir. Até anomalias de engenharia viram atração (por que não) histórica. É o caso da casa torta (crooked house of Windsor). Já foi mercado, açougue, joalheria, casa de antiguidades, lojinha de presentes... Interessante  a versatilidade desses lugares antigos. Quanto mais velho, mais eclético. A casa é torta de nascença. Foi contruída na época da rainha Elizabete I (1592) como Mercado. Ao que consta nos altos, o lugar também já foi moralmente capenga. Aqui, dizem as más línguas, o rei Charles II se encontrava com suas muitas amantes. Tem até uma passagem secreta que liga o castelo de Windsor ao torto destino do rei infiel. Passagem cerrada desde que o caso virou público demais (ou quando cortaram a cabeça do rei, não lembro... não, não, esse foi o outro Charles). Nada que o tempo não dignifique. Há cerca de 30 anos a casa torta é uma respeitável casa de chá, onde se experimenta o delicioso e autêntico chá inglês com todos aqueles cremes e geléias e pães e brioches  e chá, claro (quem se importa?).  Uma bomba calórica que engorda  a pança e emagrece o bolso. Experiência que, uma vez na vida, é mais do que suficiente (assim como peixe e batata frita na Escócia, mas essa já é uma outra história...). 

Visual novo

A praia aí no fundo é em homenagem à Jamaica... Eheheehehehe... Não sei como trocar a foto por uma mais autêntica, mas a similaridade é satisfatória.
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Enquanto isso na Jamaica

Quase explodi a cozinha tentando cozinhar frango na pressão outra vez (a primeira tentativa foi ainda no Brasil- mamãe precisou de um fogão novo depois da experiência). Quero deixar claro que não foi por falta de jeito, foi jeito demais. A panela tava com um problema na tampa, e a engenheira aqui decidiu que podia dar um... "jeitinho"  (brasileira, né). Um pouquinho de papel aqui e a jeringonça começou a fazer barulho. Sinal de que havia dado certo. Mas daí que pressão é feita de ... certo, vapor. Vapor é nada mais, nada menos que... muito bem, água em estado gasoso. Água mole em papel seco... Já viu que o papel não continuou no estado em que estava por muito tempo, né?!  Foi-se pelos ares e com ele o vapor aromatizado e engordurado sabor frango, impregnando paredes, teto, janelas e cortinas, sem falar do chão. Justamente no dia em que o marido decidiu trabalhar em casa. Passo com pano, balde, desinfetante e mais um arsenal de produtos de limpeza em frente à porta do escritório, em direção ao local da tragédia.
Ele (sem saber do caos): "Precisa de ajuda?",
"preciso de uma cozinha nova", penso, mas respondo: "não, tou fazendo terapia ocupacional enquanto o almoço apronta."
Uma hora depois, janelas sem cortinas, paredes e tetos desinfetados, spagetti no fogo, meu marido aparece na porta.
"Pensei que íamos ter frango pro almoço..."
"Mudança de última hora no cardápio... a receita anterior tava muito complicada."
"Mudou alguma coisa por aqui além do cardápio?"
"Não de propósito," respondo.
Antes de sair da cozinha, pergunta:
Cheiro estranho por aqui não é?
"É..."

Windsor

       É o maior e mais antigo castelo ainda habitado no mundo. Uma fabulosa construção de quase mil anos de idade. Colossal e imponente. Encantado. Caminhar pelos corredores do castelo é como voltar no tempo e testemunhar a história acontecendo ali, diante dos nossos olhos. Quadros que decoram as paredes ganham vida. Parecem se mover como os soldados reais que montam guarda vestidos em trajes de época. Molduras, móveis, objetos pessoais antigos, particularidades de uma imensidão a ser explorada. Tudo parece se encaixar num conto de reis e rainhas de livro infantil, com a diferença de que este é mesmo real.  Personagens da história britânica tem casado, vivido e morrido neste castelo. A rainha Victória com o marido Albert fizeram de Windsor sua casa oficial (minha rainha favorita). Elizabete I usou o castelo como centro de entretenimento diplomático. A  segunda Elizabete faz o mesmo. O castelo é uma de suas residências oficiais e é bastante usado para receber visitantes ilustres.  Passei quase um dia inteiro explorando o interior de Windsor e seus arredores.  Saí pouco depois de ver a bandeira da Inglaterra ser trocada pela bandeira que traz o brasão da família real.  Sinal de que a rainha havia chegado, a tempo para o chá inglês. Não me senti ofendida por não ter sido convidada. Não estava mesmo em trajes apropriados para o encontro com a realeza.
 

Castelo de Windsor

       Acima: anntes de chegar a Windsor...  o tamanho e a imponência do castelo impressionam.



Uma das entradas...proibida para gente comum  ( nós).




A torre principal e o fosso que circunda Windsor. A área do fosso era toda inundada no passado. Um dos mecanismos de defesa do castelo. Hoje serve unicamente como decoração, tendo sido tranformada num belo jardim. 


Acima: Soldadinhos em traje de gala e eu, descombinando... Da próxima vou levar vestido e chapéu na mochila... Ehehehe...


Bandeira britânica no alto da torre....


Passeio pela área externa... 


Bandeira da rainha! Chegou sem me avisar, a sapeca.



Acabei de batizar este ponto como torre to relógio. :)


              Thau Windsor.

Basingstoke


Há menos de 80 km ao sudoeste de Londres, fica Basingstoke. Cidade com menos de 100 mil habitantes e mais de mil anos de história. Foi palco de conflitos, foi ponto de boom industrial com produção de tecidos (o tecido gabardine foi criado lá), foi alvo de bombardeamento durante a 2ª guerra mundial e foi nossa parada inicial em terreno inglês. Daqui colhi impressões sobre o jeito de viver e de fazer britânico. Tive sol, chuva e neve em um só dia. Andei por mais de uma hora só pra me manter acordada (depois de 13 horas de viagem) e poder dormir na primeira noite européia. Perambulei por ruas e parques, mal sabendo em que parte do Reino Unido ficava a cidade que eu nem sabia como pronunciar o nome. Não levou muito tempo pra eu me acostumar ao fuso e aos sotaques variados deste lugar cosmopolita. Fui apresentada a gente de Barbados, da África do Sul, da Jamaica, da Alemanha, da China e, claro, a ingleses de nascença e de vivência. O barato de viajar é essa oportunidade de contato com pessoas de mundos diferentes do nosso e ainda assim tão parecidas com a gente. Pessoas que nos dão razão pra querer voltar lá. São esses contatos que acabam virando amigos e que agregam mais sentido e importância aos lugares. Pessoas que nos fazem sentir essa dor no peito que a gente chama saudade. 
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O Moinho de Winchester


Um moinho milenar ainda em funcionamento. Visitantes levam como souvenir farinha de trigo moída na hora. O maquinário histórico está localizado bem na área urbana de Winchester. Já foi de tudo e de todos. Foi símbolo de prosperidade, foi alvo de declínio econômico, foi alugado, emprestado, virou até presente de casamento. Considerado literalmente de todos quando virou patrimônio da cidade. Resiste ao tempo e à modernidade. Forte como o rio que o movimenta. 


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O Homem que Salvou a Catedral de Winchester


O nome dele é William Walker. No início do século XX a igreja estava cheia de rachaduras que ameaçavam todo o complexo arquitetônico. O motivo: muita água correndo no subsolo, o que colocava em risco as fundações do prédio. Um engenheiro brilhante teve a idéia de reforçar com concreto as bases da catedral, mas com tanta água, só mesmo um mergulhador profissional pra ajudar no serviço. É aí que William entra em ação. Ele trabalhou 6 horas ao dia durante seis anos (1906-1912) pra colocar 25 mil sacos de concreto debaixo da igreja. Deu certo. O prédio não caiu e o mergulhador virou herói com direito a estátua de honra e título de nobreza.

Para mais informações, aqui .
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Encontro em Winchester

Já ouviu falar de Orgulho e Preconceito? Emma? Senso e Sensibilidade? Todos filmes baseados em obras da Jane Austen, uma das mais famosas escritoras inglesas. Sempre escreveu sobre amor, casamento e herança apesar de nunca ter casado. Meu encontro com ela foi assim, por acaso, na catedral de Winchester. Esses ingleses tem mania de enterrar seus mortos famosos em igrejas famosas. E, eu, que aprendi a olhar pra parede desde o incidente no salão de Winchester, entretida que tava olhando as placas na catedral de Winchester, esqueci de olhar para o chão.
“Olha só, uma placa de homenagem a Jane Austen!”
“Sim, querida,” responde meu marido. “E você está bem em cima da sepultura dela.” 
Mas com tanta gente enterrada lá, não tem mesmo como evitar pisar em uma outra celebridade histórica. E a igreja, por si, é um espetáculo de arquitetura.
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Onde está a távola redonda?


     Lembra do rei Artur e dos cavaleiros da távola redonda? Fui apresentada à távola no castelo de Winchester. Primeiro, passei batida ao encontrar um salão quase vazio. Pensei que a mesa tinha encolhido ou era mágica do tipo "só os inteligentes podem ver." Pessoas à minha volta comentavam sobre as cores, os nomes gravados, o designer... e eu sem ver nada. Demorou uns minutinhos pra perceber que não era problema de tamanho, mas era mesmo questão de QI.  Lá estava ela, massiva e redonda, pendurada nos altos de uma das paredes do salão. Imagine se fosse menorzinha...
A távola exibida no salão de Winchester  data de 1270. Não é a original, mas tem idade e história suficiente pra ganhar notoriedade. As listas e as histórias sobre o rei Artur variam. A mesa the Winchester lista 25 nomes de cavaleiros. O formato da mesa representa a igualdade dos membros da cavalaria de Artur.
O príncipe Charles e a princesa Diana tiveram um jantar com outras gentes da nobreza nesse salão em mil novecentos e não lembro, tendo a távola como pano de fundo. Se a mesa gigante tivesse despencado da parede...

Justificativa

Este espaço acaba de ser promovido a diário de viagens. Como em sessão nostalgia seguem algumas aventuras passadas.  Aqui e ali prometo escrever alguma coisa do presente, direto da Jamaica, a meio caminho das Américas. Registro erros e gafes com a desculpa de ser honesta e com a pretensão de ser cômica. Afinal, se não for informativo, que seja divertido. E se nem um nem outro, prometo ser breve, porque não há pecado mais grave no mundo das letras do que discurso ruim e longo. Seja como for, aqui vem o Bichinho outra vez, viajado e cheio de história pra contar.
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Este blog...


...está de volta.
Em homenagem à Iara!
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Amor de mãe

Minha irmã me mandou esse texto e eu quis postar em algo diferente de orkut e facebook... Daí lembrei desse espaço abandonado, morada de aranhas cibernéticas e com certidão de óbito assinada há um tempão... Daí, decidi ressuscitar o bichinho outra vez... O que a gente não faz pela mãe. Aí vai o texto que é mais uma obra-prima do nosso amigo Anônimo.



Era uma forma, hoje condenada pelos educadores e psicólogos, mas


funcionou com a gente e por isso não saímos seqüestrando a namorada,


calculando a morte dos pais, ajudando bandido a sequestrar a mãe, não


nos aproveitamos dos outros, não pegamos o que não é nosso, nem


matando os outros por ai, etc...






Minha mãe ensinou a VALORIZAR O SORRISO...


"ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!"






Minha mãe me ensinou a RETIDÃO...


"EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!"






Minha mãe me ensinou a DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS...


"SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A


CASA!"






Minha mãe me ensinou LÓGICA E HIERARQUIA...


"PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?"






Minha mãe me ensinou o que é MOTIVAÇÃO...


"CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VC CHORAR!"






Minha mãe me ensinou a CONTRADIÇÃO...


" FECHA A BOCA E COME!"






Minha Mãe me ensinou sobre ANTECIPAÇÃO...


"ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!"






Minha Mãe me ensinou sobre PACIÊNCIA...


"CALMA!... QUANDO CHEGARMOS EM CASA VOCÊ VAI VER SÓ..."






Minha Mãe me ensinou a ENFRENTAR OS DESAFIOS...


"OLHE PARA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!"






Minha Mãe me ensinou sobre RACIOCÍNIO LÓGICO...


"SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!"






Minha Mãe me ensinou sobre o REINO ANIMAL...


"SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!"






Minha Mãe me ensinou sobre GENÉTICA...


"VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!"






Minha Mãe me ensinou sobre minhas RAÍZES...


"TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?"






Minha Mãe me ensinou sobre a SABEDORIA DE IDADE...


"QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER."






Minha Mãe me ensinou sobre JUSTIÇA...


"UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO ELES FAÇAM PRÁ VOCÊ O MESMO


QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!"






Minha mãe me ensinou RELIGIÃO...


"MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!"






Minha mãe me ensinou o BEIJO DE ESQUIMÓ...


"SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!"






Minha mãe me ensinou CONTORCIONISMO...


"OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!"






Minha mãe me ensinou DETERMINAÇÃO...


"VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!"






Minha mãe me ensinou habilidades como VENTRÍLOGO...


"NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?"






Minha mãe me ensinou a SER OBJETIVO...


"EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!"






Minha mãe me ensinou a ESCUTAR ...


"SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO!"






Minha mãe me ensinou a TER GOSTO PELOS ESTUDOS...


"SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!..."






Minha mãe me ajudou na COORDENAÇÃO MOTORA...


"JUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS!! PEGA UM POR UM!!"






Minha mãe me ensinou os NÚMEROS...


"VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!"






OS PSICÓLOGOS QUE ME PERDOEM......


MAS EU ACHO QUE ESSA ERA A PSICOLOGIA QUE FUNCIONAVA MESMO....KKKKKKKK


Ensinamentos das MÃES DE ANTIGAMENTE:


















Brigadão, Mãe !!!


Eu não virei bandido.

Sobre a tempestade

Nunca vi tanta agua caindo do ceu de uma vez só.  Ilhada em casa, sem luz ou internet,  descubro que o telhado não é tão bom quanto parecia no começo.  Água caindo do teto e se atirando janela adentro como cachoeira.  Depois das primeiras doze horas, restou-nos a cama como lugar seguro, seco e quentinho.  Tudo o mais alagado.  Livros e uma boa dose de bom humor pra ajudar a passar o tempo.  E pipoca com bolo de chocolate pra enganar a barriga que nao sabe sentir outra coisa alem de fome nessas horas.   E pensar que a gente comprou o kit tempestade pra calafetar as janelas mas nao teve tempo de montar.  Depois da tempestade, veio a faxina e a espera ansiosa por um sol preguiçoso.  Nada como a instabilidade clim'atica jamaicana.

Pasmo

Eu enfrento uma tempestade de 44 horas na Jamaica e descubro que o ceu ta caindo é no Brasil... Quem foi que elegeu o Tiririca?
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Um estranho entre nós

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Na onda do amor...

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Patriotismo

Futebol nunca foi minha paixão, especialidade ou interesse. Minha quase antipatia pelo esporte só muda de 4 em 4 anos por razões obviamente patrióticas. Sou brasileira fielmente apaixonada pelo país e não preciso entender de bola pra me unir à torcida e gritar goooooool! Não preciso aprender como xingar a mãe do juiz porque isso não se faz e todo mundo aprende a fazer sem ninguém ensinar mesmo. Não preciso sequer saber os nomes dos jogadores, basta lembrar a cor da camisa e tá tudo certo... eu acho. E deu tudo certo na torcida de estréia do Brasil na Copa esse ano. Dos super jogadores, só Kaká e Robinho eram criaturas mais ou menos familiares pra mim, os demais novos rostos eram diferentes o suficiente dos jogadores coreanos pra confundir. O único problema é que, como todos os demais patriotas, acredito religiosamente que o Brasil é a melhor seleção do planeta e desde que não entendo muito da matéria, minhas expectativas são nada realistas e quase nunca satisfeitas. Fico decepcionada se não tenho um legítimo motivo pra gritar "gooooooool!" ou pelo menos "quaaaaaase!" a cada cinco minutos de partida. Considero um insulto extremo se o time número 114 consegue fazer gol no meu time número 1. Que audácia! E eu que cheguei a gritar gol por um segundo, sem pensar na cor da camisa ou formato de rosto...Tudo bem, essas feridas no orgulho a gente supera, além do mais, time que ganha é sempre melhor do que time que empata ou perde.
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Manhã surpreendente de sol e céu azul!

Em Londres sol é produto raro e de luxo. Quando aparece com um céu bonito assim de um azul assim então, é como se fosse feriado municipal! O povo troca os carros pelas pernas, caminha pelas ruas e parques, aproveita o calor e veste menos. Esse é o palácio de Kensington, onde a rainha Victória nasceu e foi criada, e que também foi lar da princesa Diana... Ainda conto essa história direito, quando tiver mais tempo e disposição...

Londres

Contemplei Londres pela primeira vez com os olhos da imaginação. Foi aos 7 anos de idade, lendo o livro "A Pequena Princesa" de Frances Hodgson Burnett. O primeiro livro sem figuras coloridas que li, de onde também herdei as primeiras impressões do mundo indiano.
As manhãs chuvosas e geladas  ganharam maior tonalidade e novas nuances, mas estavam tão bem desenhadas na memória, que me pareciam familiares desde os primeiros passos pelas ruas de Londres.
Pompa e história estão por toda a parte e é difícil fixar os olhos em um só objeto de admiração. O fascínio da realeza, de todo aquele cerimonialismo austero, das tradições, das histórias de heróis medievais, das batalhas sangrentas, dos cenários de tortura e de execução, dos príncipes e princesas de carne e osso, dos reis e rainhas que fizeram a história nem tão bonita como nos contos infantis, nem tão feia que não tenha magia e encantamento. Romance, tragédia, comédia, enganos, acertos e erros escritos com sangue e suor e boa oratória de grandes escritores.
Londres de Sherlock Homes, de Jeeves and Wooster e de Minha Bela Dama. Londres dos romanos, dos anglo-saxões,  dos cavaleiros medievais, dos Tudor, dos Stuart, de Victória e Elizabeth. Ah, Londres das artes, da ópera, dos musicais, da pompa das noites de gala! Nenhum lugar melhor para assistir ao Fantasma da Ópera em versão original e bem afinada.
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Primeiras impressões

Foi a noite mais curta da minha vida. Deixamos Chicago às 11 da noite e pousamos em Londres 6 horas depois, quase 10 da manhã no relógio britânico. E vi pela primeira vez uma típica manhã londrina: fria, cinzenta e molhada.
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Mudando de ares

Comecei essa aventura na Inglaterra. Comecei essa conversa de aventura prometendo falar da Inglaterra. Mas como falar da Inglaterra quando a India foi  tão mais colorida e é tão mais vívida na memória? A Inglaterra tem, porém, seu fascínio e merece alguns textos nesse blog. Hora de trocar o calor de Delhi e Mombaim pelo frio romântico e a chuva incessante de Londres! Cidade mais bonita, só mesmo o Rio de Janeiro! (Eu e minhas preferências pelo calor dos trópicos...)
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Transporte coletivo













Onde cabem dois, cabem três...Ainda mais quando a maioria segue a pé.
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Por amor




Agra é cheia de monumentos históricos. Prédios ofuscados pelo mais famoso de todos: O Taj Mahal. A maravilha arquitetônica é considerada ainda mais bela por ser uma obra de amor. Todo em mármore branco, de uma brancura ofuscante, o Taj é cravejado de pedras semi-preciosas. O delicado colorido  preenche os arranjos florais que emolduram o prédio.
Toda essa beleza é, na verdade, uma gigantesca sepultura para a esposa favorita do imperador Shah Jaham. Durante o reinado de sólida prosperidade, o soberano construiu dezenas de obras impressionantes, entre elas, o gigantesco Forte Vermelho, em Delhi, e o Forte de Agra. Nada se comparados à excelência e à beleza do Taj Mahal.
Alguns acreditam que Shah Jahan planejava fazer a própria sepultura em idênticas proporções, toda em mármore negro, o que seria uma espécie de negativo do Taj. Mas o filho do soberano, preocupado com os gastos do pai excêntrico, decidiu que o melhor seria tomar a direção a tempo de evitar a bancarrota do reinado.
Conspiração pensada e praticada, o filho usurpou o reino e trancafiou o pai no Forte de Agra. Das janelas do cativeiro,  Shah Jahan  podia contemplar sua obra prima. O corpo do imperador foi depositado ao lado do da esposa*, e assim o Taj Mahal perdeu a simetria interna. Não perdeu, porém, o encanto com o qual apaixona visitantes de todo o mundo.


* A sepultura da esposa Mumtaz Mahal (que significa "a eleita do palácio) foi plantada bem no meio do Taj Mahal. A sepultura de Shah Jahan foi colocada ao lado e assim, a obra deixou de ser simétrica.


Entre os mais diversos meios de transporte indianos, camelo não é por certo o mais rápido ou agradável. O animal segue lenta e atrapalhadamente pelo asfalto apinhado de vendedores, turistas, mulheres em panos coloridos, bichos exóticos e veículos mais rápidos do que ele. Vez por outra, o bichão põe pra fora tudo o que foi descartado pelo corpo durante o processo de digestão. Uma bolsa (enorme), atrelada a ele, armazena o excremento. Pra quem está de carona atrás de toda aquela massa malcheirosa a viagem passa a ser uma lição de como manter o estômago sob controle. De qualquer forma, uma experiência divertida.
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E toda essa inspiração me vem a custo de uma noite mal dormida, depois de ver os Celtics perderem vergonhosamente para os Lakers na final da NBA. Esperanças adiadas para mais um jogo que espero ser bem diferente.  O que falta de humor e paciência parece estar sobrando em vontade de escrever. Quanto ao Brasil, que a meu ver não fez bonito nem feio na estréia da Copa do mundo, toda a minha torcida de melhores apresentações.

Inspiração repentina

Acordei decidida a escrever mais uma aventura direto das Indias, se é que ainda me lembro de notícias passadas.  Não sei como fui jornalista por quase seis anos e nunca me demitiram, porque ô moleza pra postar em tempo real. Daí que eu tenho que confiar na memória, que não é das boas.  Prometo fazer disso conto ligeiro em vez de romance dramalhão. Se não for bom, pelo menos há de ser curto.
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Auto-riquixá


O jeito mais barato, ventilado e divertido de atravessar Delhi, se não for incoveniente demais andar com a bolsa cheia de frutas, e eu já explico o porquê. É que em Delhi, mendigos e pedintes estão por toda a parte, principalmente crianças. Por conta dos jogos internacionais do Bem Comum (se estou traduzindo certo a organização inglesa), coibição à mendigagem é bastante em voga. Há propagandas contra dar dinheiro a pedintes em cartazes, tv e companhia. E nas ruas de Delhi, com o trânsito já fechado, pesado, buzinento e malcheiroso por si, em cada esquina um sinal vermelho, em cada sinal, um assalto de rostinhos sujos, mãos estendidas e olhos esperançosos. Muitos turistas preferem o conforto dos carros devidamente arcondicionados e com vidros que os protegem da realidade. O auto-riquixá não tem esse artifício. É espaço aberto e vulnerável. E mesmo sabendo que por trás daqueles pequeninos mensageiros pode estar a horrenda máfia de miseráveis que se aproveitam da miséria alheia, é de partir o coração só de pensar em fechar os olhos ou virar o rosto. Minha primeira viagem me pegou desprevenida. As poucas barras de cereal que tinha na bolsa acabaram depois do primeiro semáforo. A experiência serviu para os próximos dias. Não saíamos do apartamento de mãos vazias. Bananas, laranjas, tangerinas, biscoitos, nem sempre bem apreciados por adultos que mais lucrariam com moedas. E nisso achei surpreendente contentamento, um senso de paz, de não estar colaborando com o vício de outros. Mas a recompensa maior veio na satisfação de crianças satisfeitas e sorridentes com o inusitado presente. Uma delas me deu o mais inesquecível sorriso de toda essa viagem.

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De volta!

Então.... Dois meses inteiros de aventuras pra contar... Aventuras bem vividas e documentadas com um zilhão de fotografias... A gente não pensa muito no trabalho que dá por todas aquelas imagens em ordem quando está fazendo pose em frente da câmera... Começo hoje ainda... promessa... Tou pensando em começar do começo... Elementar meu caro Watson, como diria meu amigo amante de cachimbos. Nada como um pouco organização...
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Acentos e assentos

Escrevo de um computador sem acentos em Portugues...E com um assento pra l'a de gasto... Entao nao espere muito cuidado com o vern'aculo, que h'a muito mais para cuidar por aqui.
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Usando a l'ingua

Uma semana na India e j'a consigo dizer algumas frases curtas em Hindi e em Simte (uma das centenas de tribos indianas). O que nao 'e muito. Para o padrao ocidental, dominar uma segunda l'ingua pode ser suficiente. Quase todo indiano em Delhi fala pelo menos 3 idiomas pra sobreviver. Criancas aprendem em ingles e em hindi (a lingua nacional) nas escolas por serem essas as l'inguas francas por aqui. Um vendedor tentou me convencer a comprar uma colcha rendada. Ele iniciou a conversa em Hindi( nao sei porque as pessoas imaginam que eu seja indiana). Obviamente nao deu certo. Trocamos algumas palavras em ingles, falou com minha acompanhante em Simte e, quando finalmente descobriu que eu sou brasileira, desatou a falar num misto de Portugues com Espanhol. Fiquei pasmada com tanta habilidade lingu'istica, e quase obrigada a comprar o produto. Minha acompanhante e nova amiga indiana fala 6 idiomas. O m'inimo que eu posso fazer 'e tentar aprender alguma coisa com toda essa versatilidade. E versatilidade 'e uma palavra que traduz muito nessa babel populosa que 'e a capital indiana.
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Do futuro

Escrevo do futuro. 12 horas de diferenca no fuso horario...e sem nenhuma fotografia pra postar...
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India

O feio e o belo, o passado e o presente, o rico e o paup'errimo, tudo misturado.
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Viajando...

Tanto assunto pra escrever, tantas fotos pra postar e quase nada de tempo pra internet...Mas, promessa, em breve, alguns posts legais das super-aventuras na Inglaterra. Esse lugar 'e o bicho da goiaba!!!!!!

Depois da tempestade...















Vêm os acidentes...

Adeus por antecipação


Já estou com saudades dessa brancura sem fim. É frio de doer, mas é tão bonito. Depois de amanhã, neve talvez só em alguns anos. Na Inglaterra a curta temporada de neve já passou. Interessante é que durante anos não nevava por lá. Muitas crianças inglesas ficaram tão surpresas quanto eu ao ver neve pela primeira vez. Mas durou pouco. Bom pra eles. A volta pros E.U.A. acontece quase no verão e aí a gente desmonta acampamento rumo à Jamaica, onde neve só mesmo de algodão, como a gente costuma fazer no Brasil em tempos de natal. Foi bom. Duas coisas que não fiz e talvez não tenha tempo de fazer antes da viagem: Boneco e Anjinho de neve.

De malas prontas!

As malas estão prontas desde a última terça-feira. Já foram pesadas e revistoriadas uma dezena de vezes... Nenhum ml a mais de shampoo, nenhum mapa a menos, e uma extensa lista de atividades planejada e projetada para os próximos dois meses que prometem ser os melhores dessa temporada de viagens. Duas semanas na Inglaterra, 1 mês inteiro na India e mais duas semanas na Escócia. Daí que fazer malas pra dois climas completamente opostos em doses intercaladas não é tarefa fácil. Roupas de frio na mala preta, roupas de calor na mala vermelha, suplementos alimentares, itens de higiene e de primeiros socorros plastificados e bem separados, uma longa dose de encomendas feitas por gente de três países e ainda tem que sobrar espaço para sapatos e livros. A equação foi resolvida depois de muito esforço mental e físico. Já tentou fechar uma mala contendo o dobro de volume permitido? O mais preocupante, porém, era o peso, e este, milagrosamente consta abaixo do estimado.

Museu Abraham Lincoln

O que mais me encanta na biografia de Lincoln é o que pode ser lido nas entrelinhas do rosto pintado e recriado por artistas diversos. Tristeza, não depressão. Sabedoria, não arrogância. Compaixão em vez de austeridade. E paciência, muita paciência. Um caráter moldado pelo sofrimento e pela força de vontade desde os primeiros anos de infância desse homem sem religião declarada que demonstrava ter muito conhecimento de Deus.










Em 1858 Abraham Lincoln tentou ser eleito como senador mas foi derrotado por Stephen Douglas.Inimigo político e, a meu ver, pessoal.  E foi nessa batalha perdida que Lincoln ganhou renome e respeito. Dois anos depois ele seria eleito presidente num dos processos eleitorais mais dramáticos dos Estados Unidos, na fase mais dramática do país. Estados do Sul sequer tinham o nome dele na cédula de votação. O discurso abolicionista de Lincoln e o sistema econômico baseado na mão-de-obra escrava não combinavam. O Norte, com economia mais forte e menos dependente de escravos, apoiava o presidente. Daí veio a guerra civil. Milhares de mortes num episódio que dividiu famílias e alistou meninos soldados. Quase cinco anos sob pressão social e política. E sob pressão você mostra quem realmente é. Lincoln mostrou-se um exemplo de líderança e humanidade (no bom sentido do termo).



Lincoln e eu.

E o que era bom virou mau

Quem vive longe do país sabe bem o que é saudade e como a gente faz de tudo pra saber se vai tudo bem nesse Brasilzão de todos nós. Notícias boas me fazem encher a boca e o peito pra dizer "eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor..." e coisas assim... Notícias ruins me deixam triste. Mas certas notícias me deixam indignada, como o caso da estudante que teria sido impedida de assistir a aula por estar usando roupa curta.

Houve um tempo no Brasil em que "Moral e Cívica" era uma disciplina encaixada na grade curricular. Em respeito à Bandeira e ao País, alunos cantavam de cor o hino nacional com as mãos no peito e a cara pro sol e nem pensar em boné na cabeça, o que era considerado severo desrespeito. Nas escolas públicas da minha cidade (Santarém), alunos entravam na sala de aula de uniforme passado e engomado. Excessão só mesmo em caso de extrema necessidade, geralmente no início do ano, quando os pais não tinham dinheiro suficiente pra comprar uniforme e material didático tudo ao mesmo tempo. Shorts e bermudas  eram permitidos pra Educação Física que era em outro horário pra não dar confusão. E responder feio pra professor era caso de suspensão ou coisa pior. Daí que as escolas e o Brasil e o mundo vão mudando, mudando... O uniforme foi abolido há tempos...  ninguem quer nem saber de vestir a mesma roupa todo-mundo-igual. Hino nacional só em tempo de copa e só aqueles três ou quatro primeiros versos, como é que é mesmo? Aula de boas maneiras? Responder pra professor?  Que nada, bater em professor é que não é politicamente aceitável (ainda), sem brincadeira, nem exageros. A aula de moral foi pro beleléu e o respeito perdeu o lugar dentro e fora da escola... E quanto a roupas, bem, o aluno pode ir como bem quiser e entender. Cada um faz o que dá na telha. A estudante pode escolher a menor micro saia do armário pra assistir aula que tá tudo bem. Se professor reclama ou põe pra fora, é julgado e condenado por desrespeitar o aluno. E o respeito ao professor?