Só mais um comercial... Dessa vez com um nenenzinho cheio de atitude... :)
De mulheres
brasileiras fãs de futebol americano que eu conheça (jeito de falar), só mesmo eu
e a Gisele Bundchen. Eheheheh... Casada com um dos mais renomados quarter backs
da liga, a loira mostrou-se entendida no
assunto e demonstrou que sabe xingar muito bem em inglês. O que ela falou após
o Super Bowl no domingo passado não pode ser traduzido neste blog família. Mas
Gizzelle teve motivos, por assim dizer, família, para perder a compostura.
Saiu-se em defesa do marido, que era atacado verbalmente por membros da torcida
adversária, mas acabou ofendendo o time amigo. A língua afiada de Gisele cortou dos dois lados. Custava ter mantido a boca calada e o salto no lugar ? Como
diz o ditado: “Em boca fechada..." Pois é.
Obs: Tom
Brady, o marido de Gizelle, é o quarter back (a estrela do time) dos Patriotas.
O time era o franco favorito ao título esse ano, mas acabou perdendo. A foto acima foi roubada daqui.
O Super Bowl é a grande final do futebol americano. Reconhecidamente o evento mais transmitido e assistido nos Estados Unidos. Tão esperado que merece até título de feriado e comidas típicas. É um festival de tira gostos, sanduíches, salgadinhos, batata frita, biscoitos... Em consumo, a data só perde para o dia de ação de graças. Famílias inteiras se reúnem e se banqueteiam em frente à tela. Ricos e privilegiados vão ao estádio (pagando uma bagatela que vai de 2 a 4 mil dólares por um ingresso!). Mas quem dá show mesmo são os comerciais. Com tanta gente assistindo , não faltam empresas dispostas a pagar um alto preço para divulgar seus produtos. 30 segundos na tela podem custar mais de um milhão de dólares. E os comerciais, diga-se, brilham tanto ou mais que os gladiadores em campo. Companhias não economizam em recursos, tecnologia e extravagância pra chamar a atenção. Há quem assista ao Super Bowl só por causa deles. Modéstia à parte, penso que muitas dessas superproduções perderiam de dez a zero para comerciais brasileiros de Os Melhores do Ano. Lembra da Parmalat? A empresa pode ter falido (faliu mesmo?), mas os comerciais ficaram pra história. E como no Brasil, animais e nenens são os melhores garotos propaganda de hoje e sempre. Publicitários espertos sabem se valer desses curingas que parecem hipnotizar o público, esbanjando charme e simpatia. Um exemplo é o comercial abaixo, estrelado por um cãozinho cheio de atitude.
Os primeiros flocos caíram sobre minha cabeça em forma de tempestade. Neve pesada e molhada, com flocos bem definidos. Era possível ver o formato de cada um antes de virarem água outra vez. O clima não era frio o suficiente pra manter os flocos congelados e unidos. Mais uns dias e, enfim, neve como nos desenhos animados. Uma brancura cobrindo todas as imperfeições da paisagem. Tapete espesso e imaculado. Parece glacê de bolo de casamento. Não foi à toa que Davi comparou neve com pureza. Nem Omo pra produzir um branco tão branco. E a criançada adora ir lá fora e fazer boneco de neve, anjo de neve, bola de neve pra jogar nos outros, e por aí vai. Uma delícia se você decide só olhar, do lado de dentro da janela, com aquecedor ligado. Se não resistir à tentação de fazer o mesmo terá, como eu, 2 minutos de diversão e 10 de congelado arrependimento. Frio é como lâmina atravessando todas as barreiras que a gente veste até tocar os ossos e os sinos do cérebro. Uma dor doída que se recusa a passar. E quando passa é sinal de que os nervos congelaram e o corpo adormeceu. E olhando aquela turma lá fora horas a fio me convenço de que nervos e sensos se desenvolvem com a idade. Lembro de ter escrito algo parecido tempos atrás e, como preguiça me previne de fazer um texto novo, segue o velho outra vez.

Sindrome de Insensibilidade Climática
No meu tempo de Brasil, cheguei a conclusão de que moleque não sente calor. A turma perto de casa passava o dia naquele sol de escaldar e de fritar empinando papagaio, jogando futebol nos campinhos de terreno baldio e correndo atrás de confusão. Um bando de curumins imunes ao sol. Do outro lado das Américas penso que a molecada também sofre de insensibilidade climática, invertida. O termômetro marca 10 abaixo de zero, a gente mal consegue atravessar os três metros que vão do estacionamento à porta de casa e a turminha tá lá, há duas horas no quintal escorregando em tampa de lixeira, fazendo bonecos, movimentando braços e pernas na neve pra fazer anjinho, fazendo guerra e correndo atrás de confusão. Tenho a impressão de que a síndrome se cura em algum ponto entre a adolescência tardia e a fase adulta. Mas alguns poucos não se curam.
Já estou com saudades dessa brancura sem fim. É frio de doer, mas é tão bonito. Depois de amanhã, neve talvez só em alguns anos. Na Inglaterra a curta temporada de neve já passou. Interessante é que durante anos não nevava por lá. Muitas crianças inglesas ficaram tão surpresas quanto eu ao ver neve pela primeira vez. Mas durou pouco. Bom pra eles. A volta pros E.U.A. acontece quase no verão e aí a gente desmonta acampamento rumo à Jamaica, onde neve só mesmo de algodão, como a gente costuma fazer no Brasil em tempos de natal. Foi bom. Duas coisas que não fiz e talvez não tenha tempo de fazer antes da viagem: Boneco e Anjinho de neve.
As malas estão prontas desde a última terça-feira. Já foram pesadas e revistoriadas uma dezena de vezes... Nenhum ml a mais de shampoo, nenhum mapa a menos, e uma extensa lista de atividades planejada e projetada para os próximos dois meses que prometem ser os melhores dessa temporada de viagens. Duas semanas na Inglaterra, 1 mês inteiro na India e mais duas semanas na Escócia. Daí que fazer malas pra dois climas completamente opostos em doses intercaladas não é tarefa fácil. Roupas de frio na mala preta, roupas de calor na mala vermelha, suplementos alimentares, itens de higiene e de primeiros socorros plastificados e bem separados, uma longa dose de encomendas feitas por gente de três países e ainda tem que sobrar espaço para sapatos e livros. A equação foi resolvida depois de muito esforço mental e físico. Já tentou fechar uma mala contendo o dobro de volume permitido? O mais preocupante, porém, era o peso, e este, milagrosamente consta abaixo do estimado.
O que mais me encanta na biografia de Lincoln é o que pode ser lido nas entrelinhas do rosto pintado e recriado por artistas diversos. Tristeza, não depressão. Sabedoria, não arrogância. Compaixão em vez de austeridade. E paciência, muita paciência. Um caráter moldado pelo sofrimento e pela força de vontade desde os primeiros anos de infância desse homem sem religião declarada que demonstrava ter muito conhecimento de Deus.

Em 1858 Abraham Lincoln tentou ser eleito como senador mas foi derrotado por Stephen Douglas.Inimigo político e, a meu ver, pessoal. E foi nessa batalha perdida que Lincoln ganhou renome e respeito. Dois anos depois ele seria eleito presidente num dos processos eleitorais mais dramáticos dos Estados Unidos, na fase mais dramática do país. Estados do Sul sequer tinham o nome dele na cédula de votação. O discurso abolicionista de Lincoln e o sistema econômico baseado na mão-de-obra escrava não combinavam. O Norte, com economia mais forte e menos dependente de escravos, apoiava o presidente. Daí veio a guerra civil. Milhares de mortes num episódio que dividiu famílias e alistou meninos soldados. Quase cinco anos sob pressão social e política. E sob pressão você mostra quem realmente é. Lincoln mostrou-se um exemplo de líderança e humanidade (no bom sentido do termo).
Depois de uma noite não dormida e muitas preocupações passadas, a manhã sorridente, fácil e bem sucedida no departamento de imigração. O mau tempo sem claridade, a minha sonolência e o nervosismo do meu marido conspiravam contra nós, mas a entrevista foi tão rápida que nem chegou a doer.
Tudo começou com o juramento de só falar a verdade, nada mais que a verdade, sob pena de cadeia em caso contrário. De pé, em respeito à bandeira e aos Estados Unidos (e eu que entrei e já fui logo sentando na primeira cadeira que me apareceu pela frente). Nenhuma das perguntas estudadas caiu no interrogatório (como em prova de vestibular...a propósito, ainda existe vestibular?). Decorei datas de aniversário, nomes completos e locais de nascimento à toa. Em vez disso, perguntas sobre minhas intenções e planos sobre prostituição, sequestro, terrorismo e poligamia. Usei todo o meu Inglês pra dizer "no" durante a maior parte da entrevista.
Da montanha de documentos e provas de que nosso casamento não é uma fraude, a oficial de imigração selecionou e arquivou uns poucos papéis sobre histórico bancário e todas as quase 100 fotografias impressas via Wal-mart um dia antes. Pensei que era só pra olhar, não pra ficar de vez. Saímos sem álbum mas com um novo selo no passaporte e dois rostos estampados com um sorriso de orelha a orelha.
Pesca de inverno. Há quem faça isso por prazer. Loucos e masoquistas a gente encontra em todo lugar. E pra exercer essa atividade é preciso dominar a técnica de andar sobre a água. Se aprender rápido e sem quedas, é possível dirigir sobre a água e mesmo morar sobre a água por alguns dias. Com tudo congelado, a maior dificuldade é conseguir ficar em pé sem uma bela escorregada, que em alguns casos pode ser fatal (o sujeito pode quebrar o pescoço numa queda de mal jeito, ou pior, pode quebrar o gelo e experimentar o mergulho da morte). Botas especiais, precaução e o mínimo de instinto de auto-preservação ajudam. Alguns decidem ir até o meio do lago dirigindo. Os mais experientes (e inteligentes) só dirigem quando há certeza de que a placa de gelo tem pelo menos um metro de espessura. Os pescadores compulsivos levam barraca, banquinho, cama e aquecedor. A pesca pra esses dura no mínimo dois dias seguidos. A técnica é simples. Com o auxílio de uma máquina, eles fazem um buraco no gelo de mais ou menos 80 cm de diâmetro, daí é só sentar no banquinho e esperar com um arpão em mãos. Alguns voltam pra casa com belos troféus, outros voltam com belas experiências e outros infelizmente não voltam, porque nem sempre é dia de pesca e dia de pescador por aqui costuma ser trágico.
No meu tempo de Brasil, cheguei à conclusão de que moleque não sente calor. A turma perto de casa passava o dia naquele sol de escaldar e de fritar empinando papagaio, jogando futebol nos campinhos de terreno baldio, correndo atrás de confusão. Um bando de curumins imunes ao sol. Desse lado dos States, penso, a molecada sofre da mesma insensibilidade climática só que invertida. O termômetro marca 10 abaixo de zero, a gente mal consegue atravessar os três metros que vão do estacionamento à porta de casa e a turminha tá lá, há duas horas no quintal escorregando em tampa de lixeira, fazendo bonecos, movimentando braços e pernas na neve pra fazer anjinho, fazendo guerra e correndo atrás de confusão...Tenho a impressão de que a síndrome se cura em algum ponto entre a adolescência tardia e a fase adulta, mas alguns poucos não se curam.
Nesse inverno nevado, dirigir é uma perigosa aventura. O gelo forma uma fina camada no asfalto... Suficiente pra deixar tudo lisinho, lisinho... Uma escorregada e... era uma vez um carro perfeito. Não é raro ver polícia e 911 se aglomerando em mais um local de acidente, que, geralmente, não é muito grave (dependendo de como vc analisa a situação, eu considero a gravidade pelo número de mortes). Dia desses um caminhão cheio de carga (desconhecida por mim) bateu no pilar de uma ponte. Foi um tormento pra motoristas desavisados cujos carros formaram um engarrafamento de quilômetros. O caminhão ficou em desgraça, a carga foi perdida, a ponte partiu e o trecho foi obstruído, mas milagrosamente, o motorista saiu vivo e tecnicamente inteiro.
Além do gelo, o nevoeiro que se forma por dias a fio, dificulta a visibilidade e por alguma razão me faz lembrar das estradas empoeiradas da Amazônia. Mas o asfalto é bom, as estradas recebem manutenção diária (com gente e máquinas retirando a neve e o gelo) e a paisagem, quando visível, é de uma brancura que acalma. Parece propaganda de sabão em pó. E quando o sol decide aparecer, tudo fica ainda mais claro e brilhante. Bonito, muito bonito de ver, e, olhando assim do lado de dentro do carro, sem a sensação de frio abaixo de zero, parece mais um agrupamento de dunas de areia em alguma praia perto do mar.
Falando em contágio, todo mundo por aqui me diz pra ter cuidado com a gripe suína. Não sei como vão as coisas no lado sul das Américas, mas a doença passou de estado de alerta nacional a fashion e de moda a quase comum a todos por aqui. A primeira vez que encontrei uma pessoa que já havia sido infectada pela nova gripe tive vontade de pedir um autógrafo, porque, afinal, era coisa que todo mundo falava,mas que ninguém de fato parecia ter visto. Mas daí veio a normalidade e agora andam dizendo que a gripe comum mata mais que a versão suína. Há postos de vacinação nas lojas e supermercados. Eu é que ainda não tive coragem de tomar mais uma agulhada e por enquanto, mesmo com as drásticas diferenças climáticas, nem gripe, nem resfriado pra fazer charme.
Eu aqui nesse friozinho nevante tentando achar um site de notícias que me conte mais sobre o clima no Brasil. No Sul, chuvas e alagamentos. No norte o tempo é ameno, mas as notícias são tempestuosas, como no resto do país...Tráfico de drogas, exploração ilegal de madeira e coisas do tipo. No Distrito Federal processo de impeachmant correndo e mais mensalões (a vez dos democratas... outra vez). E em meio ao mau tempo de corrupção que se alastra e contagia, uma lição de honestidade, vinda do interior de Brasília (quanta ironia).
Uma passadeira de roupa acha 4.500 reais em frente de casa e decide devolver. Queria que bons exemplos tb fossem contagiosos.
Hoje de manhã... com a maior cara de bolacha de tanto sono...

Da janela da cozinha, uma vista panorâmica do quintal... branquíssimo de neve...

E pra colorir o cenário, um esquilo esperto, à procura do café da manhã... só ele e eu pra arriscar uma saída nesse frio de lascar...