
O modelo da foto acima (tirada no parque das Aves) me faz lembrar de um outro bicudo que conheci anos atrás no Centro de Animais Silvestres em Santarém. Lá fui apresentada a criaturas ilustres,
raras, em perigo de extinção, ou em momento de descoberta, e que me renderam boas
gargalhadas e reportagens interessantes. A memória mais extraordinária, no
entanto, me vem de um papagaio ordinário, de comportamento estranho. Numa das
imensas gaiolas do centro, ele era só mais um, camuflado no meio de outras
dezenas de bicudos da mesma espécie; traiçoeiro que nem ele só. Tratadores e
biólogo bem que tentaram me prevenir quanto ao caráter enganoso do empenado.
Eu, entre incredulidade e senso de preservação própria, decidi esperar antes de
arriscar. A gaiola se abre, entra o biólogo e nada acontece. Entra um dos
tratadores e tudo é uma calma só. Entra o repórter cinematográfico e os anfitrões
nem barulho fazem. Imagino um texto
rápido e uma passagem cheia de atitude dentro daquela gaiola. Não resisto a
tentação e aí, chega a hora da estrela. Mal ponho um pé na gaiola e o Zé
carioca do avesso é todo garras e bico no meu couro cabeludo. O cinegrafista em
vez de ajudar, continua filmando, filmando, sem noção do terror que
literalmente se afinca na minha cabeça. O indivíduo ainda se arrisca a me
sugerir que a matéria ia ficar show se a passagem fosse feita com o papagaio
ali mesmo. É nessas horas que a gente
conhece os amigos. O biólogo, mais humano, faz algumas tentativas de desatracar
o bicho que insiste em perfurar o meu
crânio. O tratador me olha com cara de “eu bem que avisei.” Depois de momentos
que me pareceram eternos, o bicho finalmente desiste de me assassinar em público e
vai parar no braço do biólogo. Calminho, calminho, nem parecia o espetáculo de
horrores de segundos atrás. O tratador não resiste: “Falei que o bicho num gostava de mulher.”
Estou quase no livro dos recordes. Duas despedidas em menos de um ano. Festa é sempre bem vinda. Dessa vez foi uma festa tropical. Peixaria exótica onde servem até filé com fritas. A coordenadora Angela Cavalcante encontrou o lugar pitoresco na faixa de Gaza de Santarém e encomendou com antecedência uma salva de tiros. Mas vamos começar do começo ou quem não foi vai ficar boiando ou nadando, como queiram.
Obs: As fotos eu vou ficar devendo porque meus colaboradores ainda não colaboraram em tempo hábil. Eheheheh....
Eu gosto de chuva. Já choveu hoje e eu devo sair antes da chuva da tarde, uma pena. Chuva só não combina muito com Vivos. Aliás, eu não combino muito com Vivos. Mas foi uma diversão pagar todos aqueles micos com o Jones e a Márcia. O último foi em frente ao Conselho Tutelar. Minutos antes do vivo, tudo preparado, até a repórter e o texto. Daí o céu começa a ficar escuro, escuro, a brisa se transforma em ventania e o penteado vai pro espaço. Tempestade a caminho, tragédia anunciada. Tudo pronto aí, pessoal do vivo? Pergunta uma voz familiar pelo ponto. Tudo. Inclusive a visitante inoportuna, prontinha pra fazer parte do show. Sombrinhas, sombrinhas, um pente, uma dose de humor e outra de óleo de peroba pra deixar a lata ipermeável.
_ Atenção! Vai entrar agora. Grita o Cid.
_ Eu posso fazer um comentário no ar e explicar que essa sombrinha florida não me pertence? Pergunta com ar complacente o entrevistado.
_ Atençao....
_ Sorria, sorria- é a voz da minha consciência tentando me deixar calma. E lá vamos nós outra vez....
Obs: Por falar na Márcia estou devendo aqui um post especial sobre a mãe dela e aqueles lanches ma-ra-vi-lho-sos que ela faz. Sorte do Jones. Sorte da Márcia. Preciso de fotos.
Quem não gostou muito do fim do horário de verão foi a Ângela Cavalcante. Tadinha. Em vez de hora a mais, uma a menos. É que já está sendo veiculado o Tapajós Notícia. O programa jornalístico de alguns minutinhos vai ao ar 'as 7 da manhã. E a escolhida para os vivos da madrugada foi... pois é. Tem que estar arrumada 'as 6 da madruga, benzinho. E entrar sorrindo na casa das pessoas...
Fim do horário de verão. Uma hora a mais de sono. Eu sei. Aqui não funciona horário de verão. Ainda assim eu me sinto mais descansada. Deve ser psicológico...
Taí o Jones, dando uma entrevista rápida para o blog da Goiaba.
Eu: Por que uma mudança tão dramática no visual?
Jones: Porque estou impossibilitado de usar salto alto. Recomendações médicas.
Nota: A sala foi gentilmente cedida pela gerente de jornalismo Suelen Reis, que não estava por lá no momento.
É uma imagem surpreendente captada pela lente da fotógrafa ultra mega super robert Ângela Cavalcante. Não só pela habilidade da artista, como pelo espantoso da situação. O Jones sem botas é mais inimaginável do que o Shrek sem o gato de botas. O tênis branco combinando com a camisa é ainda mais extraordinário. Tadinho, literalmente acordou com o pé esquerdo e do lado errado da cama. Uma pisada em falso, um grito, uma mudança dramática no visual. Tomara que não comece a afetar a personalidade do cowboy. O Jones mauricinho ninguém aguenta.
Essa aí da esquerda é a Márcia Andrade, uma das mais novas repórteres da Tv Tapajós. Ela que me aturou nesses quase três meses de retorno 'as atividades jornalísticas. Tem potencial e simpatia. Tem disposição também, o que é indispensável pra essas matérias de mato que são tão legais.

Foto: Zé Rodrigues.
O jardim do Armando será uma das novas paisagens exibidas no estúdio da Tv Tapajós. As fotos ficaram lindas, mas não dá pra encher este espaço só de fotos de vitória-régia... Pensando bem, dá... vou escolher mais algumas...
Responda depressa:
O que é pior do que cometer um erro e não poder consertá-lo?
Cometer esse erro ao vivo.
Todos temos dias ruins.
O Armando é um desses personagens que a gente imagina já ter visto em algum filme. Ele é uma lenda, não precisa de mais nada pra isso. Tudo o que precisa é ser, existir, e pronto. Mas o Armando tem muito mais. Todos os dias ele atravessa o rio pra chegar em casa. 'As vezes são as águas límpidas do Tapajós, 'as vezes, o barrento Amazonas. A travessia por si já me seria melhor do que um dia de descanso. Mas tem a casa, tem a várzea inundada, tem a diversidade que a gente só vê aqui. Entre muitos hábitos exóticos, o gosto pela vida quase selvagem, o prazer do contato com a natureza e um jardim de vitórias-régias no quintal. Isso mesmo. Gigantes da flora Amazônica cada vez mais raras no cenário ribeirinho são vistas aos montes pertinho de casa. Um espetáculo que a gente fez questão de ver de perto e de mostrar. Na casa do Armando também tem uma criação de morcegos coloridos, mas isso é assunto pra outra história.
O esquema de Vivo funciona mais ou menos assim:
9 horas da manhã a repórter é informada de que vai ter uma entrada ao Vivo.
9 e 30 da manhã: repórter e equipe de técnica são informados do assunto e do local.
10: 00 da manhã... jornal no ar... equipes de reportagem e de técnica chegam ao local do vivo.
10: 10... hora de retocar a maquiagem. Óleo de peroba na lata que vai aparecer logo logo nas telinhas da globo.
10: 15 ... a repórter é apresentada ao entrevistado, bola um texto mirabolante de última inspiração e se prepara psicologicamente.
10: 20 da manhã. O entrevistado demonstra impaciência pela espera. A repórter ainda não está preparada. A entrada muda dramaticamente do 3º para o 2º bloco e a entrada deve ocorrer dentro de cinco minutos. Não dá tempo de arriscar um pulo suicida do viaduto. O ponto de retorno começa a falhar. A memória começa a sair pela porta dos fundos do cérebro em franca atividade de erupção. A repórter lembra que não tem o nome completo do entrevistado(milagre!). Pensa em perguntar. Vira para o lado e hesita. No ponto, uma voz do Além Complexo avisa: Você já está no ar. Uma virada de volta pra câmera e um sorriso amarelo antes de começar a responder a uma pergunta que ela nem sequer tem certeza de que foi feita pela apresentadora. Continua sorridente até que a câmera começa a passear pelo espaço mostrando a movimentação. A repórter continua a narrar enquanto procura os papéis onde escreveu o texto do vivo e que escorregaram das mãos nervosas nos primeiros segundos de transmisão. Torce para que o cinegrafista seja seu amigo e continue passeando com a câmera até se recompor e estar perto do entrevistado. Fim de Vivo. A turma do complexo comemora. Viva, por um triz.
Dia animado. Cheguei antes da hora na tv, saí bem depois... não é necessariamente um fardo. Perdi um guarda-chuva, encontrei outro já perdido há um tempo e me preparei paras as pautas do dia. Carnaval. Hora de inaugurar as camisas globeleza. Beleza, não fosse o fato de ser carnaval. E esta é a minha época mais odiada do ano. Já foi amada, quando tinha acampamento no Moju e tudo o que eu via de carnaval eram as contagens de voto das escolas, na quarta-feira de cinzas. Sim, porque o feriadão era aproveitado numa paisagem muito verde e orvalhada, longe do brilho, das cores, da maisena, dos banhos de cerveja, do barulho, das letras de composições estranhíssimas que são mais um atentado violento aos ouvidos do que marchinhas de carnaval. Meu primeiro contato com este universo ET foi ano retrasado, quando pela primeira vez fui escalada para o carnaval de Alter do Chão. A praia paradisíaca era ofuscada pela baderna reinante. Tudo bem, enquanto eu não era confundida com a paisagem dantesca dos blocos de rua. Uma avalanche de maisena, unida a espuma e cerveja fizeram do meu cabelo uma obra de arquitetura que demorou uma semana para se dissolver. A câmera ficou um mês na técnica e eu passei um ano traumatizada. O que era antipatia virou ojeriza, fobia grave e incurável. De carnaval quero distância e aos que curtem, os meus sinceros pêsames.

Por uma boa foto ela admite até ir parar atrás das grades. Essa é minha amiga Ângela, a mais robert de todas . Repórter, professora, comediante, tagarela, modelo e, nas horas vagas, blogueira e orkuteira. Se fosse fruta, o blog da Angel seria um abacate suculento. Uma delícia de ler. Vale 'a pena, e já faz parte da minha lista. Se não tiver paciência de acessar ao lado, clica
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Bom e molhado dia. Desisti das pautas de sol. E chuva sempre fez bem para o meu humor. Não vai ser agora que vai mudar...
Passei umas duas semanas montando uma pauta sobre um cara que faz fogão solar. Fogão solar precisa de... isso mesmo. Sem sol não faz nem banho maria e só choveu esses dias todos por aqui. E quando finalmente fez sol, o entrevistado decide desaparecer. Deixamos pra hoje e outra vez, adivinhem? Choveu. Chego 'a redação sem um vt na fita e, pior , no Jornal Hoje, uma reportagem sobre fogões solares me faz perder as esperanças de entrar na rede com este assunto.
Estou tentando fazer matéria sobre o desmatamento da Amazônia e o pessoal do Ibama não me passa informação nenhuma. Penso em fazer matéria de plantação de girassol em Belterra e os agricultores só começam a plantar em Abril. Arrisco um palpite na Emater ou quem sabe na Ceplac... todos os projetos estão parados. Tem também os pássaros da Patagônia que aparecem sempre no quintal do Armando, mas o pessoal da Tv decidiu que eu não viajo mais... Pergunto ao meu nobre colega Rafael o que a gente pode fazer de interessante por aqui e ele diz pra eu torcer por outra baleia encalhada no Arapiuns...
Reportagens com crianças sempre mexem com minha sensibilidade.... São pivôs de boas reportagens...e também tem aquele instinto materno que nos torna tão sei lá onde tem criança perto.
Quando a gente vê pessoas lutando pelos direitos delas e fazendo sua parte pra mantê-las seguras, é realmente animador. Mas não tem muita graça quando a gente vê casos em que a lei diz uma coisa, a realidade é outra e aí, quando a lei é aplicada, parece que tá havendo uma injustiça ali.
Pais ribeirinhos vêem a ajuda da criança no trabalho como parte da educação. Isso é cultural. Assim eles foram ensinados desde que eram crianças. Eu sei que em algumas regiões do país, um menino de 10 anos de idade vendendo peixe na rua é uma aberração. Lugar de criança é em casa ou na escola, eu concordo com isso. Mas na Amazônia, é uma prática justificável do ponto de vista da cultura e da pobreza. Para o Joãozinho, está mais perto da diversão do que da escravidão atravessar o Amazonas na canoa, ao lado do pai, para conseguir os trocados do pão de cada dia. O pai do Joãozinho ainda não foi beneficiado com nenhuma bolsa do Governo pra mantê-lo na escola, mas isso não é levado em conta. O que me machuca é ver o Joãozinho, todo sem jeito, ver o pai sendo tratado como bandido.
Juruti é uma cidade deste tamanhinho onde asfalto é coisa rara, sinalizaçao de transito inexistente e onde há uma superpopulaçao de motos. Elas estão por toda parte. Mototaxis econômicas e espaçosas. Com o jeitinho tão conhecido do brasileiro, numa cabe um, dois, tres, a família inteirinha se equilibra sobre duas rodas! Em vez de capacete, o motoqueiro usa boné, muito preocupado com os efeitos nocivos do sol. Uma confusão que só num é maior do que o número de pessoas que chega de outros lugares do Pará e de outros Estados. Vêm em busca de um lugar ao sol, que em Juruti brilha agora mais intensamente e é vermelho. Desde a descoberta da jazida de bauxita e da instalaçao da Alcoa em Juruti, sobram empregos, mas falta a estrutura necessária para atender tanta gente. O preço do progresso é a degradaçao ambiental, inevitável. E eu nem sabia que bem pertinho do Amazonas, tinha um lago tão verde e tão bonito como Juruti Velho.Verde e quente, como no conto da Ligia Fagundes. Ameaçado, também. Mas as promessas de compensaçao ambiental, assinadas em forma de documento pela empresa produzem a sensaçao de segurança no povo, de que tudo vai ficar bem, mesmo sabendo que nao vai ficar tão bem assim. A maior preocupaçao, no entanto, é com os impactos sociais.Que lugar terá o povo da terra nesse bum de desenvolvimento que a cidade experimenta? Sem qualificaçao fica difícil acompanhar o ritmo do progresso e os melhores empregos ficam para os melhores de fora. A história contada em Oriximiná, com o mesmo enredo, não está tendo um final tão feliz.