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A primeira receita: Uma salada em 12 segundos!

A primeira coisa que decidi testar no campo culinário  foi o que os americanos chamam de "coleslaw," uma salada de repolho agridoce que eu aprendi a gostar e a comprar pronta nos supermercados e restaurantes. Nunca passou pela minha cabeça que era possível fazer em casa. :) E é tão simples que, segundo meu mais novo professor de culinária favorito, é possível fazê-la em 12 segundos. Eu, como aprendiz que sou, faço em pouco mais de cinco (minutos)... Aqui vai a minha versão adaptada de coleslaw:


Para o molho:
2 colheres de sopa de vinagre (o de arroz é o melhor, mas pode ser qualquer vinagre)
2 colheres de sopa de suco de abacaxi
1 colher de chá (ou mais!) de molho de pimenta
2 colheres de sopa (rasa) de açúcar
4 colheres de sopa de maionese

Legumes:
1 repolho pequeno cortado em tiras finas
1 cenoura grande ralada

(Se tiver mais o quê fazer, pode comprar o pacote de legumes já cortados :) )

Mexa todos os ingredientes do molho com um fuê até que tudo fique homogêneo. Acrescente o repolho e o resto e mexa até que tudo esteja pincelado com o molho. Se conseguir fazer isso em menos de cinco minutos vc é quase profissional! :)

Opcionais: às vezes ponho pêra, maçã, pimentão cortados em tirinhas ou passados no ralador.

Chef John e minhas aventuras culinárias

Comecei a assistir ao chef John mais pelas piadas que pelas receitas. Apesar de não concordar com as opiniões políticas do chef, decidi continuar rindo das piadas e tentar aqui e ali as mais simples dicas culinárias. E num que é que elas deram certo? A cozinha não tem sido campo de guerra desde então. Chef John tem ajudado a melhorar meu humor, minha dieta e o meu casamento. Fiquei tão  animada que comecei até a ler receitas brasileiras. O problema é achar os ingredientes por aqui. Azeite de dendê, farinha de mandioca, polvilho doce e creme de leite em caixinha estão na lista de coisas que vão encher a mala em Janeiro.  Queria trazer jambu, maracujá, tucupi... (daí a minha mala seria extraditada com certeza). E pensar que até de couve eu tenho saudade. Talvez pudesse trazer sementes do Brasil e começar uma horta... Não, não. Cozinhar é uma coisa, mas esse negócio de virar horticultora vai um pouquinho além das minhas habilidades e faculdades mentais. Os pezinhos de tomate e pimenta que adotei no ano passado morreram de sede e má nutrição. A experiência foi deprimente. Quase chorei quando descobri as plantinhas defuntas depois de mais de uma semana sem água. Foi a gota d’água pra mim. Plantar, nem mesmo bananeira na praia. Além do quê, essa ideia de transportar sementes pode ser considerada contrabando.

"Fish and Chips"

 Embalado pra viagem é assim... 
Se você é daqueles super conscientizados com o meio ambiente e pensa que óleo de fritura é o mal a ser combatido no momento, melhor pôr a Escócia na sua lista vermelha (ainda tem circunflexo em “pôr”?). O povo banha tudo em óleo quente por aquelas bandas e sabe lá onde vão parar as sobras depois de usadas e reusadas. Carne, legumes, chocolate (sim, chocolate!), peixe, batata e o que mais aparecer fritos no mesmo tacho cheio de gordura (ao menos eles são a favor dos reutilizáveis – bom para o meio ambiente; efeito coquetel molotov para o corpo de quem se aventura). 
Uma das comidas rápidas mais populares na Escócia é chamada “fish and chips” (peixe e batatas). Uma bela posta de peixe temperada com sal e pimenta, banhada no óleo fervente, servida com batatas igualmente engorduradas e um pouco de vinagre por cima (eles dizem que o vinagre acentua o sabor- acentua, mas não melhora em nada). Tão popular quanto churrasquinho em Santarém. Receita simples o suficiente para ser feita em casa. Um aviso: antes de começar a fritar meio mundo, melhor prevenir. Tenha leite de magnésia à mão. Esteja certo de estar perto de um banheiro o suficiente  antes de iniciar a experiência quase suicida (o “suficiente” é calculado pela velocidade de suas pernas em metro por segundo após a ingestão de 5 ou 6 garfadas de peixe com 8 ou 10 batatinhas). É difícil encontrar qualquer coisa em situações de extrema urgência e há urgências que não esperam meeeesmo.  Não escolha este menu se estiver faminto. É possível que coma mais do que o previsto e suportável pelo seu organismo. 

A Casa Torta



Dizer que determinado prédio é antigo na Inglaterra é expressão batida. Tudo por lá parece temperado com aquela austeridade clássica que só o tempo pode produzir. Até anomalias de engenharia viram atração (por que não) histórica. É o caso da casa torta (crooked house of Windsor). Já foi mercado, açougue, joalheria, casa de antiguidades, lojinha de presentes... Interessante  a versatilidade desses lugares antigos. Quanto mais velho, mais eclético. A casa é torta de nascença. Foi contruída na época da rainha Elizabete I (1592) como Mercado. Ao que consta nos altos, o lugar também já foi moralmente capenga. Aqui, dizem as más línguas, o rei Charles II se encontrava com suas muitas amantes. Tem até uma passagem secreta que liga o castelo de Windsor ao torto destino do rei infiel. Passagem cerrada desde que o caso virou público demais (ou quando cortaram a cabeça do rei, não lembro... não, não, esse foi o outro Charles). Nada que o tempo não dignifique. Há cerca de 30 anos a casa torta é uma respeitável casa de chá, onde se experimenta o delicioso e autêntico chá inglês com todos aqueles cremes e geléias e pães e brioches  e chá, claro (quem se importa?).  Uma bomba calórica que engorda  a pança e emagrece o bolso. Experiência que, uma vez na vida, é mais do que suficiente (assim como peixe e batata frita na Escócia, mas essa já é uma outra história...). 

Enquanto isso na Jamaica

Quase explodi a cozinha tentando cozinhar frango na pressão outra vez (a primeira tentativa foi ainda no Brasil- mamãe precisou de um fogão novo depois da experiência). Quero deixar claro que não foi por falta de jeito, foi jeito demais. A panela tava com um problema na tampa, e a engenheira aqui decidiu que podia dar um... "jeitinho"  (brasileira, né). Um pouquinho de papel aqui e a jeringonça começou a fazer barulho. Sinal de que havia dado certo. Mas daí que pressão é feita de ... certo, vapor. Vapor é nada mais, nada menos que... muito bem, água em estado gasoso. Água mole em papel seco... Já viu que o papel não continuou no estado em que estava por muito tempo, né?!  Foi-se pelos ares e com ele o vapor aromatizado e engordurado sabor frango, impregnando paredes, teto, janelas e cortinas, sem falar do chão. Justamente no dia em que o marido decidiu trabalhar em casa. Passo com pano, balde, desinfetante e mais um arsenal de produtos de limpeza em frente à porta do escritório, em direção ao local da tragédia.
Ele (sem saber do caos): "Precisa de ajuda?",
"preciso de uma cozinha nova", penso, mas respondo: "não, tou fazendo terapia ocupacional enquanto o almoço apronta."
Uma hora depois, janelas sem cortinas, paredes e tetos desinfetados, spagetti no fogo, meu marido aparece na porta.
"Pensei que íamos ter frango pro almoço..."
"Mudança de última hora no cardápio... a receita anterior tava muito complicada."
"Mudou alguma coisa por aqui além do cardápio?"
"Não de propósito," respondo.
Antes de sair da cozinha, pergunta:
Cheiro estranho por aqui não é?
"É..."

Resultado

Pra começo de conversa, fazia um tempão que eu não abria uma lata de leite condensado. Não sei como é que esse negócio ficou engatado na lata. Deu o maior trabalhão pra sair.
Taí. Pra ninguém dizer que foi um desastre total. O creme até ficou bonitinho. Quanto ao gosto eu ainda não posso dizer nada. Saí sem experimentar. Atrasada para mais um vôo, pra variar.


Tentativa


Lembram dos cupuaçus? Minha amiga brasiliense Viviane não conhecia pessoalmente a fruta. E lá fomos nós para a cozinha. Ambas um desastre. Mas foi divertido tentar fazer disso aí um creme de cupuaçu... A experiência virou festa e cozinha, uma bagunça.

A barriga está reclamando e eu lembrei que tenho necessidade de almoço... Adoraria que fosse


Mas pelo visto terei que me contentar com....






Minha mãe voltou a trabalhar e a estudar. Não tem mais tempo de me fazer surpresas boas...