Para não continuar falando da crise no Oriente Médio, um pouco sobre os Musicais londrinos.
Wicked (Malvada) é um dos musicais mais assistidos em Londres. Está em cartaz desde 2005 e disputa espaço com sucessos consagrados tais como Les Mis (“Os Miseráveis”- baseado na obra de Victor Hugo) e “O Fantasma da Ópera” (baseado na obra de Gaston Leroux- o musical de maior sucesso já escrito por Andrew Lloyd).
Wicked é a história não contada da bruxa de Oz. Uma tentativa louvável de limpar a imagem da bruxa malvada criada por Lyman Frank Baum, mas não muito convincente. Ainda assim, uma estória fascinante, com enredo e diálogos de primeira. Nela, a bruxa verde Alphaba e a bruxa branca “Glinda” começam como inimigas e descobrem o valor de uma amizade duradoura que supera diferenças. As duas formam uma dupla dinâmica que leva o público às gargalhadas e à beira do choro. A última música é uma das minhas favoritas: “For Good.”
Nada como dizer honestamente a um amigo “ Porque eu conheci você, eu mudei pra melhor... ” Deixa eu ver se consigo postar a música nesse espaço.

É o maior e mais antigo castelo ainda habitado no mundo. Uma fabulosa construção de quase mil anos de idade. Colossal e imponente. Encantado. Caminhar pelos corredores do castelo é como voltar no tempo e testemunhar a história acontecendo ali, diante dos nossos olhos. Quadros que decoram as paredes ganham vida. Parecem se mover como os soldados reais que montam guarda vestidos em trajes de época. Molduras, móveis, objetos pessoais antigos, particularidades de uma imensidão a ser explorada. Tudo parece se encaixar num conto de reis e rainhas de livro infantil, com a diferença de que este é mesmo real. Personagens da história britânica tem casado, vivido e morrido neste castelo. A rainha Victória com o marido Albert fizeram de Windsor sua casa oficial (minha rainha favorita). Elizabete I usou o castelo como centro de entretenimento diplomático. A segunda Elizabete faz o mesmo. O castelo é uma de suas residências oficiais e é bastante usado para receber visitantes ilustres. Passei quase um dia inteiro explorando o interior de Windsor e seus arredores. Saí pouco depois de ver a bandeira da Inglaterra ser trocada pela bandeira que traz o brasão da família real. Sinal de que a rainha havia chegado, a tempo para o chá inglês. Não me senti ofendida por não ter sido convidada. Não estava mesmo em trajes apropriados para o encontro com a realeza.
Acima: anntes de chegar a Windsor... o tamanho e a imponência do castelo impressionam.
Uma das entradas...proibida para gente comum ( nós).
A torre principal e o fosso que circunda Windsor. A área do fosso era toda inundada no passado. Um dos mecanismos de defesa do castelo. Hoje serve unicamente como decoração, tendo sido tranformada num belo jardim.
Acima: Soldadinhos em traje de gala e eu, descombinando... Da próxima vou levar vestido e chapéu na mochila... Ehehehe...
Bandeira britânica no alto da torre....
Passeio pela área externa...
Bandeira da rainha! Chegou sem me avisar, a sapeca.
Acabei de batizar este ponto como torre to relógio. :)
Thau Windsor.

Há menos de 80 km ao sudoeste de Londres, fica Basingstoke. Cidade com menos de 100 mil habitantes e mais de mil anos de história. Foi palco de conflitos, foi ponto de boom industrial com produção de tecidos (o tecido gabardine foi criado lá), foi alvo de bombardeamento durante a 2ª guerra mundial e foi nossa parada inicial em terreno inglês. Daqui colhi impressões sobre o jeito de viver e de fazer britânico. Tive sol, chuva e neve em um só dia. Andei por mais de uma hora só pra me manter acordada (depois de 13 horas de viagem) e poder dormir na primeira noite européia. Perambulei por ruas e parques, mal sabendo em que parte do Reino Unido ficava a cidade que eu nem sabia como pronunciar o nome. Não levou muito tempo pra eu me acostumar ao fuso e aos sotaques variados deste lugar cosmopolita. Fui apresentada a gente de Barbados, da África do Sul, da Jamaica, da Alemanha, da China e, claro, a ingleses de nascença e de vivência. O barato de viajar é essa oportunidade de contato com pessoas de mundos diferentes do nosso e ainda assim tão parecidas com a gente. Pessoas que nos dão razão pra querer voltar lá. São esses contatos que acabam virando amigos e que agregam mais sentido e importância aos lugares. Pessoas que nos fazem sentir essa dor no peito que a gente chama saudade.
Um moinho milenar ainda em funcionamento. Visitantes levam como souvenir farinha de trigo moída na hora. O maquinário histórico está localizado bem na área urbana de Winchester. Já foi de tudo e de todos. Foi símbolo de prosperidade, foi alvo de declínio econômico, foi alugado, emprestado, virou até presente de casamento. Considerado literalmente de todos quando virou patrimônio da cidade. Resiste ao tempo e à modernidade. Forte como o rio que o movimenta.
O nome dele é William Walker. No início do século XX a igreja estava cheia de rachaduras que ameaçavam todo o complexo arquitetônico. O motivo: muita água correndo no subsolo, o que colocava em risco as fundações do prédio. Um engenheiro brilhante teve a idéia de reforçar com concreto as bases da catedral, mas com tanta água, só mesmo um mergulhador profissional pra ajudar no serviço. É aí que William entra em ação. Ele trabalhou 6 horas ao dia durante seis anos (1906-1912) pra colocar 25 mil sacos de concreto debaixo da igreja. Deu certo. O prédio não caiu e o mergulhador virou herói com direito a estátua de honra e título de nobreza.
Para mais informações, aqui .
Já ouviu falar de Orgulho e Preconceito? Emma? Senso e Sensibilidade? Todos filmes baseados em obras da Jane Austen, uma das mais famosas escritoras inglesas. Sempre escreveu sobre amor, casamento e herança apesar de nunca ter casado. Meu encontro com ela foi assim, por acaso, na catedral de Winchester. Esses ingleses tem mania de enterrar seus mortos famosos em igrejas famosas. E, eu, que aprendi a olhar pra parede desde o incidente no salão de Winchester, entretida que tava olhando as placas na catedral de Winchester, esqueci de olhar para o chão.
“Olha só, uma placa de homenagem a Jane Austen!”
“Sim, querida,” responde meu marido. “E você está bem em cima da sepultura dela.”
Mas com tanta gente enterrada lá, não tem mesmo como evitar pisar em uma outra celebridade histórica. E a igreja, por si, é um espetáculo de arquitetura.
Lembra do rei Artur e dos cavaleiros da távola redonda? Fui apresentada à távola no castelo de Winchester. Primeiro, passei batida ao encontrar um salão quase vazio. Pensei que a mesa tinha encolhido ou era mágica do tipo "só os inteligentes podem ver." Pessoas à minha volta comentavam sobre as cores, os nomes gravados, o designer... e eu sem ver nada. Demorou uns minutinhos pra perceber que não era problema de tamanho, mas era mesmo questão de QI. Lá estava ela, massiva e redonda, pendurada nos altos de uma das paredes do salão. Imagine se fosse menorzinha...
A távola exibida no salão de Winchester data de 1270. Não é a original, mas tem idade e história suficiente pra ganhar notoriedade. As listas e as histórias sobre o rei Artur variam. A mesa the Winchester lista 25 nomes de cavaleiros. O formato da mesa representa a igualdade dos membros da cavalaria de Artur.
O príncipe Charles e a princesa Diana tiveram um jantar com outras gentes da nobreza nesse salão em mil novecentos e não lembro, tendo a távola como pano de fundo. Se a mesa gigante tivesse despencado da parede...
Em Londres sol é produto raro e de luxo. Quando aparece com um céu bonito assim de um azul assim então, é como se fosse feriado municipal! O povo troca os carros pelas pernas, caminha pelas ruas e parques, aproveita o calor e veste menos. Esse é o palácio de Kensington, onde a rainha Victória nasceu e foi criada, e que também foi lar da princesa Diana... Ainda conto essa história direito, quando tiver mais tempo e disposição...
Contemplei Londres pela primeira vez com os olhos da imaginação. Foi aos 7 anos de idade, lendo o livro "A Pequena Princesa" de Frances Hodgson Burnett. O primeiro livro sem figuras coloridas que li, de onde também herdei as primeiras impressões do mundo indiano.
As manhãs chuvosas e geladas ganharam maior tonalidade e novas nuances, mas estavam tão bem desenhadas na memória, que me pareciam familiares desde os primeiros passos pelas ruas de Londres.
Pompa e história estão por toda a parte e é difícil fixar os olhos em um só objeto de admiração. O fascínio da realeza, de todo aquele cerimonialismo austero, das tradições, das histórias de heróis medievais, das batalhas sangrentas, dos cenários de tortura e de execução, dos príncipes e princesas de carne e osso, dos reis e rainhas que fizeram a história nem tão bonita como nos contos infantis, nem tão feia que não tenha magia e encantamento. Romance, tragédia, comédia, enganos, acertos e erros escritos com sangue e suor e boa oratória de grandes escritores.
Londres de Sherlock Homes, de Jeeves and Wooster e de Minha Bela Dama. Londres dos romanos, dos anglo-saxões, dos cavaleiros medievais, dos Tudor, dos Stuart, de Victória e Elizabeth. Ah, Londres das artes, da ópera, dos musicais, da pompa das noites de gala! Nenhum lugar melhor para assistir ao Fantasma da Ópera em versão original e bem afinada.
Foi a noite mais curta da minha vida. Deixamos Chicago às 11 da noite e pousamos em Londres 6 horas depois, quase 10 da manhã no relógio britânico. E vi pela primeira vez uma típica manhã londrina: fria, cinzenta e molhada.
Tanto assunto pra escrever, tantas fotos pra postar e quase nada de tempo pra internet...Mas, promessa, em breve, alguns posts legais das super-aventuras na Inglaterra. Esse lugar 'e o bicho da goiaba!!!!!!