A Casa Torta



Dizer que determinado prédio é antigo na Inglaterra é expressão batida. Tudo por lá parece temperado com aquela austeridade clássica que só o tempo pode produzir. Até anomalias de engenharia viram atração (por que não) histórica. É o caso da casa torta (crooked house of Windsor). Já foi mercado, açougue, joalheria, casa de antiguidades, lojinha de presentes... Interessante  a versatilidade desses lugares antigos. Quanto mais velho, mais eclético. A casa é torta de nascença. Foi contruída na época da rainha Elizabete I (1592) como Mercado. Ao que consta nos altos, o lugar também já foi moralmente capenga. Aqui, dizem as más línguas, o rei Charles II se encontrava com suas muitas amantes. Tem até uma passagem secreta que liga o castelo de Windsor ao torto destino do rei infiel. Passagem cerrada desde que o caso virou público demais (ou quando cortaram a cabeça do rei, não lembro... não, não, esse foi o outro Charles). Nada que o tempo não dignifique. Há cerca de 30 anos a casa torta é uma respeitável casa de chá, onde se experimenta o delicioso e autêntico chá inglês com todos aqueles cremes e geléias e pães e brioches  e chá, claro (quem se importa?).  Uma bomba calórica que engorda  a pança e emagrece o bolso. Experiência que, uma vez na vida, é mais do que suficiente (assim como peixe e batata frita na Escócia, mas essa já é uma outra história...). 

Visual novo

A praia aí no fundo é em homenagem à Jamaica... Eheheehehehe... Não sei como trocar a foto por uma mais autêntica, mas a similaridade é satisfatória.
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Enquanto isso na Jamaica

Quase explodi a cozinha tentando cozinhar frango na pressão outra vez (a primeira tentativa foi ainda no Brasil- mamãe precisou de um fogão novo depois da experiência). Quero deixar claro que não foi por falta de jeito, foi jeito demais. A panela tava com um problema na tampa, e a engenheira aqui decidiu que podia dar um... "jeitinho"  (brasileira, né). Um pouquinho de papel aqui e a jeringonça começou a fazer barulho. Sinal de que havia dado certo. Mas daí que pressão é feita de ... certo, vapor. Vapor é nada mais, nada menos que... muito bem, água em estado gasoso. Água mole em papel seco... Já viu que o papel não continuou no estado em que estava por muito tempo, né?!  Foi-se pelos ares e com ele o vapor aromatizado e engordurado sabor frango, impregnando paredes, teto, janelas e cortinas, sem falar do chão. Justamente no dia em que o marido decidiu trabalhar em casa. Passo com pano, balde, desinfetante e mais um arsenal de produtos de limpeza em frente à porta do escritório, em direção ao local da tragédia.
Ele (sem saber do caos): "Precisa de ajuda?",
"preciso de uma cozinha nova", penso, mas respondo: "não, tou fazendo terapia ocupacional enquanto o almoço apronta."
Uma hora depois, janelas sem cortinas, paredes e tetos desinfetados, spagetti no fogo, meu marido aparece na porta.
"Pensei que íamos ter frango pro almoço..."
"Mudança de última hora no cardápio... a receita anterior tava muito complicada."
"Mudou alguma coisa por aqui além do cardápio?"
"Não de propósito," respondo.
Antes de sair da cozinha, pergunta:
Cheiro estranho por aqui não é?
"É..."

Windsor

       É o maior e mais antigo castelo ainda habitado no mundo. Uma fabulosa construção de quase mil anos de idade. Colossal e imponente. Encantado. Caminhar pelos corredores do castelo é como voltar no tempo e testemunhar a história acontecendo ali, diante dos nossos olhos. Quadros que decoram as paredes ganham vida. Parecem se mover como os soldados reais que montam guarda vestidos em trajes de época. Molduras, móveis, objetos pessoais antigos, particularidades de uma imensidão a ser explorada. Tudo parece se encaixar num conto de reis e rainhas de livro infantil, com a diferença de que este é mesmo real.  Personagens da história britânica tem casado, vivido e morrido neste castelo. A rainha Victória com o marido Albert fizeram de Windsor sua casa oficial (minha rainha favorita). Elizabete I usou o castelo como centro de entretenimento diplomático. A  segunda Elizabete faz o mesmo. O castelo é uma de suas residências oficiais e é bastante usado para receber visitantes ilustres.  Passei quase um dia inteiro explorando o interior de Windsor e seus arredores.  Saí pouco depois de ver a bandeira da Inglaterra ser trocada pela bandeira que traz o brasão da família real.  Sinal de que a rainha havia chegado, a tempo para o chá inglês. Não me senti ofendida por não ter sido convidada. Não estava mesmo em trajes apropriados para o encontro com a realeza.
 

Castelo de Windsor

       Acima: anntes de chegar a Windsor...  o tamanho e a imponência do castelo impressionam.



Uma das entradas...proibida para gente comum  ( nós).




A torre principal e o fosso que circunda Windsor. A área do fosso era toda inundada no passado. Um dos mecanismos de defesa do castelo. Hoje serve unicamente como decoração, tendo sido tranformada num belo jardim. 


Acima: Soldadinhos em traje de gala e eu, descombinando... Da próxima vou levar vestido e chapéu na mochila... Ehehehe...


Bandeira britânica no alto da torre....


Passeio pela área externa... 


Bandeira da rainha! Chegou sem me avisar, a sapeca.



Acabei de batizar este ponto como torre to relógio. :)


              Thau Windsor.

Basingstoke


Há menos de 80 km ao sudoeste de Londres, fica Basingstoke. Cidade com menos de 100 mil habitantes e mais de mil anos de história. Foi palco de conflitos, foi ponto de boom industrial com produção de tecidos (o tecido gabardine foi criado lá), foi alvo de bombardeamento durante a 2ª guerra mundial e foi nossa parada inicial em terreno inglês. Daqui colhi impressões sobre o jeito de viver e de fazer britânico. Tive sol, chuva e neve em um só dia. Andei por mais de uma hora só pra me manter acordada (depois de 13 horas de viagem) e poder dormir na primeira noite européia. Perambulei por ruas e parques, mal sabendo em que parte do Reino Unido ficava a cidade que eu nem sabia como pronunciar o nome. Não levou muito tempo pra eu me acostumar ao fuso e aos sotaques variados deste lugar cosmopolita. Fui apresentada a gente de Barbados, da África do Sul, da Jamaica, da Alemanha, da China e, claro, a ingleses de nascença e de vivência. O barato de viajar é essa oportunidade de contato com pessoas de mundos diferentes do nosso e ainda assim tão parecidas com a gente. Pessoas que nos dão razão pra querer voltar lá. São esses contatos que acabam virando amigos e que agregam mais sentido e importância aos lugares. Pessoas que nos fazem sentir essa dor no peito que a gente chama saudade. 
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O Moinho de Winchester


Um moinho milenar ainda em funcionamento. Visitantes levam como souvenir farinha de trigo moída na hora. O maquinário histórico está localizado bem na área urbana de Winchester. Já foi de tudo e de todos. Foi símbolo de prosperidade, foi alvo de declínio econômico, foi alugado, emprestado, virou até presente de casamento. Considerado literalmente de todos quando virou patrimônio da cidade. Resiste ao tempo e à modernidade. Forte como o rio que o movimenta. 


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O Homem que Salvou a Catedral de Winchester


O nome dele é William Walker. No início do século XX a igreja estava cheia de rachaduras que ameaçavam todo o complexo arquitetônico. O motivo: muita água correndo no subsolo, o que colocava em risco as fundações do prédio. Um engenheiro brilhante teve a idéia de reforçar com concreto as bases da catedral, mas com tanta água, só mesmo um mergulhador profissional pra ajudar no serviço. É aí que William entra em ação. Ele trabalhou 6 horas ao dia durante seis anos (1906-1912) pra colocar 25 mil sacos de concreto debaixo da igreja. Deu certo. O prédio não caiu e o mergulhador virou herói com direito a estátua de honra e título de nobreza.

Para mais informações, aqui .
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Encontro em Winchester

Já ouviu falar de Orgulho e Preconceito? Emma? Senso e Sensibilidade? Todos filmes baseados em obras da Jane Austen, uma das mais famosas escritoras inglesas. Sempre escreveu sobre amor, casamento e herança apesar de nunca ter casado. Meu encontro com ela foi assim, por acaso, na catedral de Winchester. Esses ingleses tem mania de enterrar seus mortos famosos em igrejas famosas. E, eu, que aprendi a olhar pra parede desde o incidente no salão de Winchester, entretida que tava olhando as placas na catedral de Winchester, esqueci de olhar para o chão.
“Olha só, uma placa de homenagem a Jane Austen!”
“Sim, querida,” responde meu marido. “E você está bem em cima da sepultura dela.” 
Mas com tanta gente enterrada lá, não tem mesmo como evitar pisar em uma outra celebridade histórica. E a igreja, por si, é um espetáculo de arquitetura.
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Onde está a távola redonda?


     Lembra do rei Artur e dos cavaleiros da távola redonda? Fui apresentada à távola no castelo de Winchester. Primeiro, passei batida ao encontrar um salão quase vazio. Pensei que a mesa tinha encolhido ou era mágica do tipo "só os inteligentes podem ver." Pessoas à minha volta comentavam sobre as cores, os nomes gravados, o designer... e eu sem ver nada. Demorou uns minutinhos pra perceber que não era problema de tamanho, mas era mesmo questão de QI.  Lá estava ela, massiva e redonda, pendurada nos altos de uma das paredes do salão. Imagine se fosse menorzinha...
A távola exibida no salão de Winchester  data de 1270. Não é a original, mas tem idade e história suficiente pra ganhar notoriedade. As listas e as histórias sobre o rei Artur variam. A mesa the Winchester lista 25 nomes de cavaleiros. O formato da mesa representa a igualdade dos membros da cavalaria de Artur.
O príncipe Charles e a princesa Diana tiveram um jantar com outras gentes da nobreza nesse salão em mil novecentos e não lembro, tendo a távola como pano de fundo. Se a mesa gigante tivesse despencado da parede...

Justificativa

Este espaço acaba de ser promovido a diário de viagens. Como em sessão nostalgia seguem algumas aventuras passadas.  Aqui e ali prometo escrever alguma coisa do presente, direto da Jamaica, a meio caminho das Américas. Registro erros e gafes com a desculpa de ser honesta e com a pretensão de ser cômica. Afinal, se não for informativo, que seja divertido. E se nem um nem outro, prometo ser breve, porque não há pecado mais grave no mundo das letras do que discurso ruim e longo. Seja como for, aqui vem o Bichinho outra vez, viajado e cheio de história pra contar.
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Este blog...


...está de volta.
Em homenagem à Iara!
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Amor de mãe

Minha irmã me mandou esse texto e eu quis postar em algo diferente de orkut e facebook... Daí lembrei desse espaço abandonado, morada de aranhas cibernéticas e com certidão de óbito assinada há um tempão... Daí, decidi ressuscitar o bichinho outra vez... O que a gente não faz pela mãe. Aí vai o texto que é mais uma obra-prima do nosso amigo Anônimo.



Era uma forma, hoje condenada pelos educadores e psicólogos, mas


funcionou com a gente e por isso não saímos seqüestrando a namorada,


calculando a morte dos pais, ajudando bandido a sequestrar a mãe, não


nos aproveitamos dos outros, não pegamos o que não é nosso, nem


matando os outros por ai, etc...






Minha mãe ensinou a VALORIZAR O SORRISO...


"ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!"






Minha mãe me ensinou a RETIDÃO...


"EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!"






Minha mãe me ensinou a DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS...


"SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A


CASA!"






Minha mãe me ensinou LÓGICA E HIERARQUIA...


"PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?"






Minha mãe me ensinou o que é MOTIVAÇÃO...


"CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VC CHORAR!"






Minha mãe me ensinou a CONTRADIÇÃO...


" FECHA A BOCA E COME!"






Minha Mãe me ensinou sobre ANTECIPAÇÃO...


"ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!"






Minha Mãe me ensinou sobre PACIÊNCIA...


"CALMA!... QUANDO CHEGARMOS EM CASA VOCÊ VAI VER SÓ..."






Minha Mãe me ensinou a ENFRENTAR OS DESAFIOS...


"OLHE PARA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!"






Minha Mãe me ensinou sobre RACIOCÍNIO LÓGICO...


"SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!"






Minha Mãe me ensinou sobre o REINO ANIMAL...


"SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!"






Minha Mãe me ensinou sobre GENÉTICA...


"VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!"






Minha Mãe me ensinou sobre minhas RAÍZES...


"TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?"






Minha Mãe me ensinou sobre a SABEDORIA DE IDADE...


"QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER."






Minha Mãe me ensinou sobre JUSTIÇA...


"UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO ELES FAÇAM PRÁ VOCÊ O MESMO


QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!"






Minha mãe me ensinou RELIGIÃO...


"MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!"






Minha mãe me ensinou o BEIJO DE ESQUIMÓ...


"SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!"






Minha mãe me ensinou CONTORCIONISMO...


"OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!"






Minha mãe me ensinou DETERMINAÇÃO...


"VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!"






Minha mãe me ensinou habilidades como VENTRÍLOGO...


"NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?"






Minha mãe me ensinou a SER OBJETIVO...


"EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!"






Minha mãe me ensinou a ESCUTAR ...


"SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO!"






Minha mãe me ensinou a TER GOSTO PELOS ESTUDOS...


"SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!..."






Minha mãe me ajudou na COORDENAÇÃO MOTORA...


"JUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS!! PEGA UM POR UM!!"






Minha mãe me ensinou os NÚMEROS...


"VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!"






OS PSICÓLOGOS QUE ME PERDOEM......


MAS EU ACHO QUE ESSA ERA A PSICOLOGIA QUE FUNCIONAVA MESMO....KKKKKKKK


Ensinamentos das MÃES DE ANTIGAMENTE:


















Brigadão, Mãe !!!


Eu não virei bandido.

Sobre a tempestade

Nunca vi tanta agua caindo do ceu de uma vez só.  Ilhada em casa, sem luz ou internet,  descubro que o telhado não é tão bom quanto parecia no começo.  Água caindo do teto e se atirando janela adentro como cachoeira.  Depois das primeiras doze horas, restou-nos a cama como lugar seguro, seco e quentinho.  Tudo o mais alagado.  Livros e uma boa dose de bom humor pra ajudar a passar o tempo.  E pipoca com bolo de chocolate pra enganar a barriga que nao sabe sentir outra coisa alem de fome nessas horas.   E pensar que a gente comprou o kit tempestade pra calafetar as janelas mas nao teve tempo de montar.  Depois da tempestade, veio a faxina e a espera ansiosa por um sol preguiçoso.  Nada como a instabilidade clim'atica jamaicana.

Pasmo

Eu enfrento uma tempestade de 44 horas na Jamaica e descubro que o ceu ta caindo é no Brasil... Quem foi que elegeu o Tiririca?
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Um estranho entre nós

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Na onda do amor...

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Patriotismo

Futebol nunca foi minha paixão, especialidade ou interesse. Minha quase antipatia pelo esporte só muda de 4 em 4 anos por razões obviamente patrióticas. Sou brasileira fielmente apaixonada pelo país e não preciso entender de bola pra me unir à torcida e gritar goooooool! Não preciso aprender como xingar a mãe do juiz porque isso não se faz e todo mundo aprende a fazer sem ninguém ensinar mesmo. Não preciso sequer saber os nomes dos jogadores, basta lembrar a cor da camisa e tá tudo certo... eu acho. E deu tudo certo na torcida de estréia do Brasil na Copa esse ano. Dos super jogadores, só Kaká e Robinho eram criaturas mais ou menos familiares pra mim, os demais novos rostos eram diferentes o suficiente dos jogadores coreanos pra confundir. O único problema é que, como todos os demais patriotas, acredito religiosamente que o Brasil é a melhor seleção do planeta e desde que não entendo muito da matéria, minhas expectativas são nada realistas e quase nunca satisfeitas. Fico decepcionada se não tenho um legítimo motivo pra gritar "gooooooool!" ou pelo menos "quaaaaaase!" a cada cinco minutos de partida. Considero um insulto extremo se o time número 114 consegue fazer gol no meu time número 1. Que audácia! E eu que cheguei a gritar gol por um segundo, sem pensar na cor da camisa ou formato de rosto...Tudo bem, essas feridas no orgulho a gente supera, além do mais, time que ganha é sempre melhor do que time que empata ou perde.
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Manhã surpreendente de sol e céu azul!

Em Londres sol é produto raro e de luxo. Quando aparece com um céu bonito assim de um azul assim então, é como se fosse feriado municipal! O povo troca os carros pelas pernas, caminha pelas ruas e parques, aproveita o calor e veste menos. Esse é o palácio de Kensington, onde a rainha Victória nasceu e foi criada, e que também foi lar da princesa Diana... Ainda conto essa história direito, quando tiver mais tempo e disposição...

Londres

Contemplei Londres pela primeira vez com os olhos da imaginação. Foi aos 7 anos de idade, lendo o livro "A Pequena Princesa" de Frances Hodgson Burnett. O primeiro livro sem figuras coloridas que li, de onde também herdei as primeiras impressões do mundo indiano.
As manhãs chuvosas e geladas  ganharam maior tonalidade e novas nuances, mas estavam tão bem desenhadas na memória, que me pareciam familiares desde os primeiros passos pelas ruas de Londres.
Pompa e história estão por toda a parte e é difícil fixar os olhos em um só objeto de admiração. O fascínio da realeza, de todo aquele cerimonialismo austero, das tradições, das histórias de heróis medievais, das batalhas sangrentas, dos cenários de tortura e de execução, dos príncipes e princesas de carne e osso, dos reis e rainhas que fizeram a história nem tão bonita como nos contos infantis, nem tão feia que não tenha magia e encantamento. Romance, tragédia, comédia, enganos, acertos e erros escritos com sangue e suor e boa oratória de grandes escritores.
Londres de Sherlock Homes, de Jeeves and Wooster e de Minha Bela Dama. Londres dos romanos, dos anglo-saxões,  dos cavaleiros medievais, dos Tudor, dos Stuart, de Victória e Elizabeth. Ah, Londres das artes, da ópera, dos musicais, da pompa das noites de gala! Nenhum lugar melhor para assistir ao Fantasma da Ópera em versão original e bem afinada.
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Primeiras impressões

Foi a noite mais curta da minha vida. Deixamos Chicago às 11 da noite e pousamos em Londres 6 horas depois, quase 10 da manhã no relógio britânico. E vi pela primeira vez uma típica manhã londrina: fria, cinzenta e molhada.
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Mudando de ares

Comecei essa aventura na Inglaterra. Comecei essa conversa de aventura prometendo falar da Inglaterra. Mas como falar da Inglaterra quando a India foi  tão mais colorida e é tão mais vívida na memória? A Inglaterra tem, porém, seu fascínio e merece alguns textos nesse blog. Hora de trocar o calor de Delhi e Mombaim pelo frio romântico e a chuva incessante de Londres! Cidade mais bonita, só mesmo o Rio de Janeiro! (Eu e minhas preferências pelo calor dos trópicos...)
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Transporte coletivo













Onde cabem dois, cabem três...Ainda mais quando a maioria segue a pé.
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Por amor




Agra é cheia de monumentos históricos. Prédios ofuscados pelo mais famoso de todos: O Taj Mahal. A maravilha arquitetônica é considerada ainda mais bela por ser uma obra de amor. Todo em mármore branco, de uma brancura ofuscante, o Taj é cravejado de pedras semi-preciosas. O delicado colorido  preenche os arranjos florais que emolduram o prédio.
Toda essa beleza é, na verdade, uma gigantesca sepultura para a esposa favorita do imperador Shah Jaham. Durante o reinado de sólida prosperidade, o soberano construiu dezenas de obras impressionantes, entre elas, o gigantesco Forte Vermelho, em Delhi, e o Forte de Agra. Nada se comparados à excelência e à beleza do Taj Mahal.
Alguns acreditam que Shah Jahan planejava fazer a própria sepultura em idênticas proporções, toda em mármore negro, o que seria uma espécie de negativo do Taj. Mas o filho do soberano, preocupado com os gastos do pai excêntrico, decidiu que o melhor seria tomar a direção a tempo de evitar a bancarrota do reinado.
Conspiração pensada e praticada, o filho usurpou o reino e trancafiou o pai no Forte de Agra. Das janelas do cativeiro,  Shah Jahan  podia contemplar sua obra prima. O corpo do imperador foi depositado ao lado do da esposa*, e assim o Taj Mahal perdeu a simetria interna. Não perdeu, porém, o encanto com o qual apaixona visitantes de todo o mundo.


* A sepultura da esposa Mumtaz Mahal (que significa "a eleita do palácio) foi plantada bem no meio do Taj Mahal. A sepultura de Shah Jahan foi colocada ao lado e assim, a obra deixou de ser simétrica.


Entre os mais diversos meios de transporte indianos, camelo não é por certo o mais rápido ou agradável. O animal segue lenta e atrapalhadamente pelo asfalto apinhado de vendedores, turistas, mulheres em panos coloridos, bichos exóticos e veículos mais rápidos do que ele. Vez por outra, o bichão põe pra fora tudo o que foi descartado pelo corpo durante o processo de digestão. Uma bolsa (enorme), atrelada a ele, armazena o excremento. Pra quem está de carona atrás de toda aquela massa malcheirosa a viagem passa a ser uma lição de como manter o estômago sob controle. De qualquer forma, uma experiência divertida.
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E toda essa inspiração me vem a custo de uma noite mal dormida, depois de ver os Celtics perderem vergonhosamente para os Lakers na final da NBA. Esperanças adiadas para mais um jogo que espero ser bem diferente.  O que falta de humor e paciência parece estar sobrando em vontade de escrever. Quanto ao Brasil, que a meu ver não fez bonito nem feio na estréia da Copa do mundo, toda a minha torcida de melhores apresentações.

Inspiração repentina

Acordei decidida a escrever mais uma aventura direto das Indias, se é que ainda me lembro de notícias passadas.  Não sei como fui jornalista por quase seis anos e nunca me demitiram, porque ô moleza pra postar em tempo real. Daí que eu tenho que confiar na memória, que não é das boas.  Prometo fazer disso conto ligeiro em vez de romance dramalhão. Se não for bom, pelo menos há de ser curto.
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Auto-riquixá


O jeito mais barato, ventilado e divertido de atravessar Delhi, se não for incoveniente demais andar com a bolsa cheia de frutas, e eu já explico o porquê. É que em Delhi, mendigos e pedintes estão por toda a parte, principalmente crianças. Por conta dos jogos internacionais do Bem Comum (se estou traduzindo certo a organização inglesa), coibição à mendigagem é bastante em voga. Há propagandas contra dar dinheiro a pedintes em cartazes, tv e companhia. E nas ruas de Delhi, com o trânsito já fechado, pesado, buzinento e malcheiroso por si, em cada esquina um sinal vermelho, em cada sinal, um assalto de rostinhos sujos, mãos estendidas e olhos esperançosos. Muitos turistas preferem o conforto dos carros devidamente arcondicionados e com vidros que os protegem da realidade. O auto-riquixá não tem esse artifício. É espaço aberto e vulnerável. E mesmo sabendo que por trás daqueles pequeninos mensageiros pode estar a horrenda máfia de miseráveis que se aproveitam da miséria alheia, é de partir o coração só de pensar em fechar os olhos ou virar o rosto. Minha primeira viagem me pegou desprevenida. As poucas barras de cereal que tinha na bolsa acabaram depois do primeiro semáforo. A experiência serviu para os próximos dias. Não saíamos do apartamento de mãos vazias. Bananas, laranjas, tangerinas, biscoitos, nem sempre bem apreciados por adultos que mais lucrariam com moedas. E nisso achei surpreendente contentamento, um senso de paz, de não estar colaborando com o vício de outros. Mas a recompensa maior veio na satisfação de crianças satisfeitas e sorridentes com o inusitado presente. Uma delas me deu o mais inesquecível sorriso de toda essa viagem.

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De volta!

Então.... Dois meses inteiros de aventuras pra contar... Aventuras bem vividas e documentadas com um zilhão de fotografias... A gente não pensa muito no trabalho que dá por todas aquelas imagens em ordem quando está fazendo pose em frente da câmera... Começo hoje ainda... promessa... Tou pensando em começar do começo... Elementar meu caro Watson, como diria meu amigo amante de cachimbos. Nada como um pouco organização...
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Acentos e assentos

Escrevo de um computador sem acentos em Portugues...E com um assento pra l'a de gasto... Entao nao espere muito cuidado com o vern'aculo, que h'a muito mais para cuidar por aqui.
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Usando a l'ingua

Uma semana na India e j'a consigo dizer algumas frases curtas em Hindi e em Simte (uma das centenas de tribos indianas). O que nao 'e muito. Para o padrao ocidental, dominar uma segunda l'ingua pode ser suficiente. Quase todo indiano em Delhi fala pelo menos 3 idiomas pra sobreviver. Criancas aprendem em ingles e em hindi (a lingua nacional) nas escolas por serem essas as l'inguas francas por aqui. Um vendedor tentou me convencer a comprar uma colcha rendada. Ele iniciou a conversa em Hindi( nao sei porque as pessoas imaginam que eu seja indiana). Obviamente nao deu certo. Trocamos algumas palavras em ingles, falou com minha acompanhante em Simte e, quando finalmente descobriu que eu sou brasileira, desatou a falar num misto de Portugues com Espanhol. Fiquei pasmada com tanta habilidade lingu'istica, e quase obrigada a comprar o produto. Minha acompanhante e nova amiga indiana fala 6 idiomas. O m'inimo que eu posso fazer 'e tentar aprender alguma coisa com toda essa versatilidade. E versatilidade 'e uma palavra que traduz muito nessa babel populosa que 'e a capital indiana.
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Do futuro

Escrevo do futuro. 12 horas de diferenca no fuso horario...e sem nenhuma fotografia pra postar...
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India

O feio e o belo, o passado e o presente, o rico e o paup'errimo, tudo misturado.
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Viajando...

Tanto assunto pra escrever, tantas fotos pra postar e quase nada de tempo pra internet...Mas, promessa, em breve, alguns posts legais das super-aventuras na Inglaterra. Esse lugar 'e o bicho da goiaba!!!!!!

Depois da tempestade...















Vêm os acidentes...

Adeus por antecipação


Já estou com saudades dessa brancura sem fim. É frio de doer, mas é tão bonito. Depois de amanhã, neve talvez só em alguns anos. Na Inglaterra a curta temporada de neve já passou. Interessante é que durante anos não nevava por lá. Muitas crianças inglesas ficaram tão surpresas quanto eu ao ver neve pela primeira vez. Mas durou pouco. Bom pra eles. A volta pros E.U.A. acontece quase no verão e aí a gente desmonta acampamento rumo à Jamaica, onde neve só mesmo de algodão, como a gente costuma fazer no Brasil em tempos de natal. Foi bom. Duas coisas que não fiz e talvez não tenha tempo de fazer antes da viagem: Boneco e Anjinho de neve.

De malas prontas!

As malas estão prontas desde a última terça-feira. Já foram pesadas e revistoriadas uma dezena de vezes... Nenhum ml a mais de shampoo, nenhum mapa a menos, e uma extensa lista de atividades planejada e projetada para os próximos dois meses que prometem ser os melhores dessa temporada de viagens. Duas semanas na Inglaterra, 1 mês inteiro na India e mais duas semanas na Escócia. Daí que fazer malas pra dois climas completamente opostos em doses intercaladas não é tarefa fácil. Roupas de frio na mala preta, roupas de calor na mala vermelha, suplementos alimentares, itens de higiene e de primeiros socorros plastificados e bem separados, uma longa dose de encomendas feitas por gente de três países e ainda tem que sobrar espaço para sapatos e livros. A equação foi resolvida depois de muito esforço mental e físico. Já tentou fechar uma mala contendo o dobro de volume permitido? O mais preocupante, porém, era o peso, e este, milagrosamente consta abaixo do estimado.

Museu Abraham Lincoln

O que mais me encanta na biografia de Lincoln é o que pode ser lido nas entrelinhas do rosto pintado e recriado por artistas diversos. Tristeza, não depressão. Sabedoria, não arrogância. Compaixão em vez de austeridade. E paciência, muita paciência. Um caráter moldado pelo sofrimento e pela força de vontade desde os primeiros anos de infância desse homem sem religião declarada que demonstrava ter muito conhecimento de Deus.










Em 1858 Abraham Lincoln tentou ser eleito como senador mas foi derrotado por Stephen Douglas.Inimigo político e, a meu ver, pessoal.  E foi nessa batalha perdida que Lincoln ganhou renome e respeito. Dois anos depois ele seria eleito presidente num dos processos eleitorais mais dramáticos dos Estados Unidos, na fase mais dramática do país. Estados do Sul sequer tinham o nome dele na cédula de votação. O discurso abolicionista de Lincoln e o sistema econômico baseado na mão-de-obra escrava não combinavam. O Norte, com economia mais forte e menos dependente de escravos, apoiava o presidente. Daí veio a guerra civil. Milhares de mortes num episódio que dividiu famílias e alistou meninos soldados. Quase cinco anos sob pressão social e política. E sob pressão você mostra quem realmente é. Lincoln mostrou-se um exemplo de líderança e humanidade (no bom sentido do termo).



Lincoln e eu.

E o que era bom virou mau

Quem vive longe do país sabe bem o que é saudade e como a gente faz de tudo pra saber se vai tudo bem nesse Brasilzão de todos nós. Notícias boas me fazem encher a boca e o peito pra dizer "eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor..." e coisas assim... Notícias ruins me deixam triste. Mas certas notícias me deixam indignada, como o caso da estudante que teria sido impedida de assistir a aula por estar usando roupa curta.

Houve um tempo no Brasil em que "Moral e Cívica" era uma disciplina encaixada na grade curricular. Em respeito à Bandeira e ao País, alunos cantavam de cor o hino nacional com as mãos no peito e a cara pro sol e nem pensar em boné na cabeça, o que era considerado severo desrespeito. Nas escolas públicas da minha cidade (Santarém), alunos entravam na sala de aula de uniforme passado e engomado. Excessão só mesmo em caso de extrema necessidade, geralmente no início do ano, quando os pais não tinham dinheiro suficiente pra comprar uniforme e material didático tudo ao mesmo tempo. Shorts e bermudas  eram permitidos pra Educação Física que era em outro horário pra não dar confusão. E responder feio pra professor era caso de suspensão ou coisa pior. Daí que as escolas e o Brasil e o mundo vão mudando, mudando... O uniforme foi abolido há tempos...  ninguem quer nem saber de vestir a mesma roupa todo-mundo-igual. Hino nacional só em tempo de copa e só aqueles três ou quatro primeiros versos, como é que é mesmo? Aula de boas maneiras? Responder pra professor?  Que nada, bater em professor é que não é politicamente aceitável (ainda), sem brincadeira, nem exageros. A aula de moral foi pro beleléu e o respeito perdeu o lugar dentro e fora da escola... E quanto a roupas, bem, o aluno pode ir como bem quiser e entender. Cada um faz o que dá na telha. A estudante pode escolher a menor micro saia do armário pra assistir aula que tá tudo bem. Se professor reclama ou põe pra fora, é julgado e condenado por desrespeitar o aluno. E o respeito ao professor?

Residente e Permanente!

Depois de uma noite não dormida e muitas preocupações passadas, a manhã sorridente, fácil e bem sucedida no departamento de imigração. O mau tempo sem claridade, a minha sonolência e o nervosismo do meu marido conspiravam contra nós, mas a entrevista foi tão rápida que nem chegou a doer.
Tudo começou com o juramento de só falar a verdade, nada mais que a verdade, sob pena de cadeia em caso contrário. De pé, em respeito à bandeira e aos Estados Unidos (e eu que entrei e já fui logo sentando na primeira cadeira que me apareceu pela frente). Nenhuma das perguntas estudadas caiu no interrogatório (como em prova de vestibular...a propósito, ainda existe vestibular?). Decorei datas de aniversário, nomes completos e locais de nascimento à toa. Em vez disso, perguntas sobre minhas intenções e planos sobre prostituição, sequestro, terrorismo e poligamia. Usei todo o meu Inglês pra dizer "no" durante a maior parte da entrevista.
Da montanha de documentos e provas de que nosso casamento não é uma fraude, a oficial de imigração selecionou e arquivou uns poucos papéis sobre histórico bancário e todas as quase 100 fotografias impressas via Wal-mart um dia antes. Pensei que era só pra olhar, não pra ficar de vez. Saímos sem álbum mas com um novo selo no passaporte e dois rostos estampados com um sorriso de orelha a orelha.

Numa fria

Pesca de inverno. Há quem faça isso por prazer. Loucos e masoquistas a gente encontra em todo lugar. E pra exercer essa atividade é preciso dominar a técnica de andar sobre a água. Se aprender rápido e sem quedas, é possível dirigir sobre a água e mesmo morar sobre a água por alguns dias. Com tudo congelado, a maior dificuldade é conseguir ficar em pé sem uma bela escorregada, que em alguns casos pode ser fatal (o sujeito pode quebrar o pescoço numa queda de mal jeito, ou pior, pode quebrar o gelo e experimentar o mergulho da morte). Botas especiais, precaução e o mínimo de instinto de auto-preservação ajudam. Alguns decidem ir até o meio do lago dirigindo. Os mais experientes (e inteligentes) só dirigem quando há certeza de que a placa de gelo tem pelo menos um metro de espessura. Os pescadores compulsivos levam barraca, banquinho, cama e aquecedor. A pesca pra esses dura no mínimo dois dias seguidos. A técnica é simples. Com o auxílio de uma máquina, eles fazem um buraco no gelo de mais ou menos 80 cm de diâmetro, daí é só sentar no banquinho e esperar com um arpão em mãos. Alguns voltam pra casa com belos troféus, outros voltam com belas experiências e outros infelizmente não voltam, porque nem sempre é dia de pesca e dia de pescador por aqui costuma ser trágico.

Síndrome da insensibilidade climática

No meu tempo de Brasil, cheguei à conclusão de que moleque não sente calor. A turma perto de casa passava o dia naquele sol de escaldar e de fritar empinando papagaio, jogando futebol nos campinhos de terreno baldio, correndo atrás de confusão. Um bando de curumins imunes ao sol. Desse lado dos States, penso, a molecada sofre da mesma insensibilidade climática só que invertida. O termômetro marca 10 abaixo de zero, a gente mal consegue atravessar os três metros que vão do estacionamento à porta de casa e a turminha tá lá, há duas horas no quintal escorregando em tampa de lixeira, fazendo bonecos, movimentando braços e pernas na neve pra fazer anjinho, fazendo guerra e correndo atrás de confusão...Tenho a impressão de que a síndrome se cura em algum ponto entre a adolescência tardia e a fase adulta, mas alguns poucos não se curam.

Pé na estrada...com muito cuidado.

Nesse inverno nevado, dirigir é uma perigosa aventura. O gelo forma uma fina camada no asfalto... Suficiente pra deixar tudo lisinho, lisinho... Uma escorregada e... era uma vez um carro perfeito. Não é raro ver polícia e 911 se aglomerando em mais um local de acidente, que, geralmente, não é muito grave (dependendo de como vc analisa a situação, eu considero a gravidade pelo número de mortes). Dia desses um caminhão cheio de carga (desconhecida por mim) bateu no pilar de uma ponte. Foi um tormento pra motoristas desavisados cujos carros formaram um engarrafamento de quilômetros. O caminhão ficou em desgraça, a carga foi perdida, a ponte partiu e o trecho foi obstruído, mas milagrosamente, o motorista saiu vivo e tecnicamente inteiro.

Além do gelo, o nevoeiro que se forma por dias a fio, dificulta a visibilidade e por alguma razão me faz lembrar das estradas empoeiradas da Amazônia. Mas o asfalto é bom, as estradas recebem manutenção diária (com gente e máquinas retirando a neve e o gelo) e a paisagem, quando visível, é de uma brancura que acalma. Parece propaganda de sabão em pó. E quando o sol decide aparecer, tudo fica ainda mais claro e brilhante. Bonito, muito bonito de ver, e, olhando assim do lado de dentro do carro, sem a sensação de frio abaixo de zero, parece mais um agrupamento de dunas de areia em alguma praia perto do mar.

Um passeio pela Tv Americana



 A novidade é que não tem muita novidade. Eles fazem tecnicamente o mesmo e com a mesma tecnologia... Mudança de dvd pra cartão em andamento (o diretor do departamento de tecnologia ficou impressionado quando eu disse que a gente já tava fazendo isso em Santarem, láaaa na Amazônia), trabalho em dupla (repórter e cinegrafista, raramente um assistente porque eles dizem que 3 é demais), produção de pautas, repórteres reclamando ou mudando as pautas por conta própria, gravação em estúdio e apresentações ao vivo, apresentadores fazendo a maquiagem e penteando os cachos por conta minutos antes da apresentação, repórteres chegando com notícias de última na hora da apresentação, esses detalhes que fazem o estress e a adrenalina do jornalismo... Talvez a maior diferença seja o salário...E olhe que as reclamações são as mesminhas.


A gripe

Falando em contágio, todo mundo por aqui me diz pra ter cuidado com a gripe suína. Não sei como vão as coisas no lado sul das Américas, mas a doença passou de estado de alerta nacional a fashion e de moda a quase comum a todos por aqui. A primeira vez que encontrei uma pessoa que já havia sido infectada pela nova gripe tive vontade de pedir um autógrafo, porque, afinal, era coisa que todo mundo falava,mas que ninguém de fato parecia ter visto. Mas daí veio a normalidade e agora andam dizendo que a gripe comum mata mais que a versão suína. Há postos de vacinação nas lojas e supermercados. Eu é que ainda não tive coragem de tomar mais uma agulhada e por enquanto, mesmo com as drásticas diferenças climáticas, nem gripe, nem resfriado pra fazer charme.

O clima

Eu aqui nesse friozinho nevante tentando achar um site de notícias que me conte mais sobre o clima no Brasil. No Sul, chuvas e alagamentos. No norte o tempo é ameno, mas as notícias são tempestuosas, como no resto do país...Tráfico de drogas, exploração ilegal de madeira e coisas do tipo. No Distrito Federal processo de impeachmant correndo e mais mensalões (a vez dos democratas... outra vez). E em meio ao mau tempo de corrupção que se alastra e contagia, uma lição de honestidade, vinda do interior de Brasília (quanta ironia). Uma passadeira de roupa acha 4.500 reais em frente de casa e decide devolver. Queria que bons exemplos tb fossem contagiosos.

Neve... 2!

Hoje de manhã... com a maior cara de bolacha de tanto sono... Da janela da cozinha, uma vista panorâmica do quintal... branquíssimo de neve...
E pra colorir o cenário, um esquilo esperto, à procura do café da manhã... só ele e eu pra arriscar uma saída nesse frio de lascar...




Neve!!!!!

Minha primeira noite de neve!!!!! Uma tempestade vinda assim de surpresa no meio da estrada... O que não é muito bom...Mas pra quem nunca viu foi uma festa só! Flocos gigantescos e molhados... e um frio de lascar... Foi o bicho da goiaba. Sem fotos. Não achei a câmera em canto algum...Acordamos cedo pra ver se ainda tinha alguma coisa lá fora... que nada. Tudo derretido... Pensei em postar uma foto da internet, mas não é a mesma coisa...

Aniversariantes do dia


Dom Pedro II e o samba...Difícil achar uma foto de samba apropriada pra este blog... na verdade, samba não é apropriado pra este blog, mas não deixa de ser história...

Sessão retrô




Excelente roteiro, incríveis diálogos e interpretações. Não foi à toa que Minha Bela Dama (My Fair Lady) ganhou 8 oscars. É de 1964, mas dá show e ganha de 1000 se comparado a muitos dos modernos musicais... tem música, tem humor e, de quebra, tem romance, o que já valeria uma bela sessão pipoca.

E por falar em compras





O maior shopping dos Estados Unidos é mais pra passeio que pra fazer compras... tem de tudo o que se pode desejar comprar em preços nem tão acessíveis, mas com espaço e novidades de sobra pra fazer mais do que esvaziar a carteira...
Montanha russa e outros brinquedos gigantes... Massagens exóticas com jatos de água sem se molhar graças a uma engenhoca que mais parece uma nave espacial ou um caixão funerário de luxo... Uma outra opção é tirar uma foto com o presidente dos Estados Unidos, Obama, o grande... Ou mesmo comprar o presidente e levar pra casa! O boneco de papelão tem as exatas dimensões de Obama que, pra minha surpresa, é quase do meu tamanho.
Para a legião de garotinhas cor de rosa que cresceram brincando com a barbie, há uma sessão inteira dedicada à boneca com cintura de pilão e seios de Fafá de Belém. Entre as mais antigas, criadas ainda na década de 50, trajes que apontam profissões diferentes para as mulheres da época... barbie metalúrgica, barbie bombeira, barbie astronauta... não sei porque nunca simpatizei com essa criatura modernista.
Para membros do clube do bolinha, o paraíso dos LEGOS! Brinquedos gigantescos montados com pedaçinhos de plástico. Dinossauros, palhaços, castelos... Tudo como se viesse de Itu e tivesse comido fermento. Mas o que realmente atrai milhares de americanos e turistas ao shopping é o espaço quentinho e ideal para as tradicionais caminhadas... Aqui nos States todo mundo faz trilha, corre ou caminha pra manter a forma... e o melhor, sem pagar nada pelo aquecimento.

Black Friday

Minha primeira black friday. Inesquecível, mesmo pra alguém acostumado a esquecer... Os agitos da louca madrugada de compras em que milhares de americanos não se importam de não dormir e de enfrentar filas gigantescas do lado de fora das lojas, num frio congelante de doer, esperando pelo momento de comprar o máximo possível com o mínimo de cash. Esse não é o tipo de programa que me tiraria o sono, muito menos me tiraria do quentinho da cama se não fosse pelo desafio e pela curiosidade. Minha cunhada, compradora profissional, já tinha tudo planejado. Mapeou todas as lojas, sabia de cor os itens a por no carrinho, as melhores ofertas, os irresistíveis presentes de natal pra família que decidiu crescer nesse final de ano. Tudo arranjado. E todas as mulheres da família (4) acordaram às 2 da manhã rumo às compras dos sonhos. Homens se arrastaram da cama pros carros, decididos a evitar o pesadelo da bancarrota financeira, porque afinal, família que compra unida evita dívidas maiores, ou talvez não...
Chegamos ao paraíso dos consumidores compulsivos às 3 da manhã e já tinha uma horrenda fila dobrando a esquina da Old Navy, esperando pra comprar 20 dólares de roupas e ganhar um video game novo pra família... E como ninguém tava assim tão interessado em video games, nossa comitiva seguiu rumo à próxima estação e lá estava aberto e quentinho que nem coração de mãe Wal-mart com cds inacreditáveis por 2 dólares! Até eu me animei com a novidade... Em tese os carrinhos só poderiam ser enchidos após às cinco da manhã, mas já tinha consumidor furando o bloqueio desde as 3 e os gerentes decidiram abrir os portões do baú da felicidade antes do horário previsto. E lá fomos nós. Pra nossa surpresa, nós mulheres não tivemos muito trabalho em encher os carrinhos já abarrotados de eletrônicos que os maridos tinham disputado quase no tapa com outros furiosos madrugados consumidores. O legal de comprar em grupo é que a gente pode montar estratégias de guerra... Homens na fila, mulheres no Mcdonalds comprando café pra todo mundo e organizando a próxima etapa da maranatona. Terminamos a madrugada com dois porta-malas sem poder fechar, um joelho roxo (o meu), hematomas diversos (distribuídos por todo o grupo), pés e pernas doloridos, cartões zerados e carteiras vazias... mas uma sensação reconfortante de que neste natal presentes não vão faltar.

Up!


Faz rir, faz chorar... Faz bem com pipoca, coca-cola e uma boa companhia.

Com a vida na mala...

Dois meses e meio na terra do tio Sam, cinco Estados percorridos, Mississipi atravessado 6 vezes, 2 vezes o Missouri, uma extensa ( e intensa) lista de atividades a cumprir e nenhum tempo pra curtir a casa nova... A última visita ao lar foi há quase um mês e durou 17 horas. Só o tempo de por mais roupa na mala e seguir viagem. Imagens novas, pessoas novas, línguagem nova, novas aventuras, novo estilo de vida, novas experiências de vida, de cores e sabores ... Mas aí, pra que o tempo passe e voe e tudo continue numa boa, vale ter uma boa dose de organização e planejamento (com as malas) e esses são itens em falta no meu vocabulário. Daí que o que a gente não quis aprender com doces conselhos de mãe e de pessoas mais avisadas, desce amargo com as cabeçadas que a vida te dá. Algumas lições aprendidas a partir de observações da vida real (a minha):
Malas grandes e carros pequenos não combinam...
Malas pequenas também podem representar excesso de bagagem, principalmente se estão vazias, só ocupando espaço já em falta.
Mesmo fazendo muita força, duas malas não podem ocupar o mesmo espaço. Isso você geralmente aprende na 5ª série.
A bagagem não se resume a roupas. Há itens essenciais a serem postos na lista, entre eles, escova de dentes e secador de cabelos.
Secador não é uma frivolidade quando vc corre o risco de congelar o crânio.
Mesmo que esteja fazendo um frio de lascar você não precisa de 10 casacos pra uma viagem de uma semana.
O frio de lascar é sempre um risco ainda que o sol brilhe lá fora dizendo pra você que tá calor. Então, PONHA AS LUVAS NO PORTA-LUVAS que é lugar certo, seguro e fácil de achar.
Pra ser útil, a lista de atividades ( e de itens de bagagem) que vc num esforço surpreendente conseguiu elaborar, não pode ir parar na lista de itens perdidos.

Cachoeiras na Pensilvânia

Daí a gente foi parar na Pensilvânia e assim meio sem querer achamos um complexo de quedas d’água de tirar o fôlego só de olhar. Os tons contagiantes do outono misturados ao fascínio da água caindo sem parar formam uma obra de arte sonora e colorida. Difícil não ficar de boca aberta. Depois da decepção em Ohio, essa foi a melhor surpresa e a maior recompensa. Cachoeiras de todos os tipos e tamanhos...


Essa aí é a maior de todas, com cerca de 30 metros de queda. As outras, menores, são conhecidas como damas de honra, então essa deve ser a noiva. Valeu a pena andar mais um pouco, subir e descer escadas em madeira cravadas em rochedos só pra ver essa maravilha. E o passeio não terminou por aí...




Ursos

Daí que todo mundo por aqui diz que essa parte da Pensilvânia é o lugar ideal pra fotografar ursos em vida selvagem. O problema é que, no outono, eles viram máquinas de comer por conta do tempo de hibernação no inverno, e eles comem qualquer coisa ou qualquer um que vêem pela frente. Em nome da curiosidade jornalística que ainda me resta, decidi que valeria a pena correr o risco por uma boa foto... E depois de algumas horas de passeio, o único urso disposto a aparecer e a posar pra mim foi esse aí... mansinho, mansinho... Quem sabe na próxima visita à Pensilvânia...


Cachoeiras em Ohio


Sul de Ohio, o cenário parece coisa de filme de aventura em plena selva. Cavernas e formas curiosas esculpidas nas rochas em anos de vento, chuva e outras ações da natureza, nem sempre “naturais”. Como explicar pedaços imensos de pedra que parecem ter sido colocados de cabeça pra baixo? Ou os recortes gigantescos de solo e rocha que se pudessem ser colocados lado a lado encaixariam como num quebra-cabeças? Esse mosaico de formas curiosas tem hoje uma infinidade de trilhas para a alegria de aventureiros e decididos pela boa forma.




No sobe e desce cheio de obstáculos turistas perdem o fôlego e alguns quilinhos, mas ganham grátis shows estrelados por esquilos, veados e outros animais silvestres que aparecem pelo caminho aqui e ali. Conhecida como a caverna do homem velho (Old´s Man Cave), a caverna abaixo é, provavelmente, a maior de todas as cavernas do complexo formado por cinco parques. Nela um ermitão decidiu passar seus ultimos anos em compania de dois cães de estimação. Provavelmente ele não teve muito com o que se estressar e deve ter vivido muitos e muitos anos, daí o nome.


Na foto abaixo você confere a "banheira do diabo" ou coisa parecida. O material rochoso de que é formada é tão duro que não há água que amoleça pelos lados, daí a água corre para onde é mais fácil, pra baixo, e a banheira é tão funda, que segundo a lenda por aqui, chega ao centro da terra. Crendices à parte, o banho nessa banheira é mortal por dois motivos: o frio de lascar e a quase impossibilidade de escalar as paredes lisas da rocha.








Outro ponto pitoresco do complexo é a casa de pedra (rock house), que ganhou este nome advinha por que? A gigantesca formação rochosa parece mesmo uma casa, cheia de colunas, com aberturas que imitam portas e janelas... Entrar é facil, mas é preciso ter cuidado ao escolher a melhor saída. Algumas aberturas são queda livre de mais de 20 metros de altura. Pertinho da casa de pedra, há uma outra rocha de nome pitoresco: “gorda esmagada”. Provavelmente se alguém mais carnudo tentar passar por lá não vai conseguir. Mas a nossa maior motivação para um passeio como esse foram as famosas cachoeiras do lugar que de tão famosas tiram férias no outono pra aliviar o estresse das outras estações. Na maioria delas, nem gota caindo... É que nessa época do ano chove quase nunca e os riachos secam. Daqui a pouco começa a chover de novo e daí vem a neve e o frio congelante e as cachoeiras viram estátuas de gelo. Depois de um dia de caminhada, torça para não se perder, pior do que sair da trilha é descobrir outra mais longa de volta pra casa.


Igrejas Batistas Americanas

Comunidades que variam em música, estilo e número. Não muito diferente do Brasil. Representantes da terceira idade são maioria em igrejas mais tradicionais, com (boa) música e mensagens mais para a razão do que para a emoção. Por outro lado, tão rápido e contagiante quanto no Brasil, cresce o movimento contemporâneo em igrejas mais jovens, nascidas em ginásios e lideradas por jovens entusiastas, cujas mensagens emotivas e pulsantes sincronizam com o tom mais ritmado do repertório musical. Mais do que estilos musicais e oratória diferentes, esses dois grupos e uma infinidade de meio termos (geralmente tradicionais tentando se “modernizar”) diferem em credo e comportamento. Roupas e rituais também contrastam de maneira drástica. A sinceridade dos emotivos merece respeito, a fidelidade dos tradicionais também. Acredito que o culto a Deus pode e deve ser racional e emocional. Um aspecto complementa o outro em seres dotados de intelecto, emoção e vontade. E esse terceiro aspecto é, talvez, o mais importante. É preciso ter vontade para decidir obedecer, mesmo contra a (minha) razão ou emoção. Vontade para anular a própria vontade em favor da vontade divina, crendo que esta é boa, agradável e perfeita. Que seja feita a Vossa vontade tanto nas igrejas quanto no céu.