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Entre Brasil e Argentina (parte 2!)

vista do lado brasileiro


As Cataratas dos Iguaçu formam o segundo maior complexo de cachoeiras do mundo. Só perdem pra Vitória Falls, na África. Foram eleitas uma das 7 maravilhas da natureza em 2011. Nem precisava. O que é encanto não requer  título. Beleza e força estão unidas nesta majestosa criação divina. Não sei porque cargas d’água o ponto mais arrebatadoramente mágico foram chamar de “Garganta do diabo”. Só pode ser coisa de argentino. Argentinas são também as Três Virgens, que podem ser melhor observadas do lado brasileiro. Aliás, argentina é a maior parte do platô banhado por toneladas de água caindo, caindo,  em ritmo hipnotizante. Dói na alma, mas preciso admitir: O lado argentino é muito mais bonito. Tudo bem, o brasileiro continua sendo o mais simpático e oferece ângulos perfeitos pra fotografar. Fauna e flora são coadjuvantes do magnífico espetáculo coroado de arco-íris. Jacarés (ou caimãs, como são chamados os jacarezinhos argentinos de nariz curto) tomam banho de sol, a poucos metros das maiores quedas. E eu me pergunto se são corajosos ou suicidas.  Pássaros multi-coloridos dividem o espaço com os menos atraentes urubus (de nacionalidade argentina, sugiro J).  Há também um exército de quatis viciados em comida de turista (Argentinos! Argentinos!). Tem placa por todo canto alertando que é proibido alimentar os animais. Os turistas obedecem, mas os animais... Chegam sem cerimônia, ficam sem ser convidados,  assaltam bolsas e lancheiras dos menos apercebidos e não se incomodam com os flashes da fama. Uns matreiros sem-vergonha. Por pouco não me levam a merenda. Só não roubam a cena das borboletas. Brancas, azuis, amarelas e pretas, como no poema da Cecília Meireles, elas coroam as Cataratas num contraste harmonioso de força e fragilidade.  

 vista do lado argentino

Entre Brasil e Argentina

Jamaicanos adoram futebol brasileiro. A-do-ram. Quando digo que sou brasileira por essas bandas, eles desandam a falar e a perguntar (terror) sobre tudo e sobre todos envolvidos com bola no Brasil. Daí, quando digo que Futebol não é matéria realmente dominada por mim, eles me olham com cara de quem tá vendo um herege na frente.Se tento falar, passo vergonha. Então prefiro a técnica jornalística: em vez de responder, pergunto. E é com meus amigos jamaicanos que estou aprendendo um pouco mais sobre a religião Futebol no Brasil. Pelé e Sócrates, que não jogam há decadas, ainda são mundialmente conhecidos e reconhecidos. Soube dia desses que Sócrates se foi. O amigo Jamaicano que me deu a notícia tava com cara de quem tinha perdido um amigo. Descubro também que Ronaldinho só é considerado fenômeno de gordura e de preguiça, e que Kaká já foi o melhor jogador do mundo, mas que hoje o rei da bola é um argentino. Argentino? Pergunto entre incredulidade e estupefação. Deixo passar... Mais uns dias e retomamos a conversa. E lá me vem um pra me dizer que futebol brasileiro é isso e é aquilo, mas que não tá mais no topo. Os bonzões da bola do momento, diz ele com ar de entendido, são os argentinos. Desconversei pra não ficar irritada com o aprendiz de locutor esportivo. Posso não entender de bola, mas entendo de torcida. Perder o título de melhor do mundo, vá lá, que ninguém consegue ter tudo o tempo todo. Agora ser rebaixado pelos  vizinhos hermanos...não há sangue brasileiro que não ferva.